ELEIÇÃO PARA REITORIA E DISPUTA MUNICIPAL ESTARIAM POR TRÁS DA RADICALIZAÇÃO E DO DESEJO DE GREVE DA ADUEPB

O presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Paraíba, José Cristóvão de Andrade, teria ficado transtornado após a assembleia geral da última sexta-feira, por não ter conseguido levar adiante a tese da greve da categoria. De público, através do Twitter, o pró-reitor de Planejamento da UEPB, Rangel Júnior, acusou Andrade de forçar a barra.

“Proposta defendida pelo presidente da ADUEPB foi derrotada: 51x24. Revoltado, encerrou a assembleia. A assembleia continuou e deliberou sobre vários assuntos da pauta. Presidente da ADUEPB, derrotado em sua proposta, não tem poder de mando na AG (Assembleia Geral)”, escreveu Rangel, em seu microblog, na sexta.

“A ADUEPB foi vitimada na última sexta-feira por um ato arbitrário, arrogante, autoritário e desmedido do seu presidente”, comentou hoje o pró-reitor.

Por trás do desejo de Andrade de radicalizar o movimento, estariam alguns projetos políticos. O professor e sindicalista sonhava com o apoio da reitora Marlene Alves para realizar seu desejo de chegar à reitoria, mas Marlene já tem candidato, Rangel Júnior, e não parece disposta a mudar, mesmo sob pressão.

Como é de domínio público, a reitora é pré-candidata a prefeita, e, estando prestes a deixar o comando da Estadual, não faria bem à sua postulação se pipocasse, agora, uma greve que prometeria ser longa, desgastante e traumática. Esse raciocínio seria o pano de fundo para a pressão da ADUEPB. Ou seja, se Marlene mudasse de ideia – ou seja, de candidato a reitor – a disposição da associação seria imediatamente abrandada.

E, entre os corredores e os jardins da UEPB, não falta quem enxergue na radicalização de Andrade efeitos das eleições municipais de outubro, não apenas pelos torpedos contra Marlene, com risco de atingir sua pré-candidatura, como também por uma suposta aproximação do dirigente classista com grupos partidários para os quais uma demorada greve na Estadual seria um acontecimento a comemorar.

Afinal, uma demorada paralisação seria desgastante para o Governo do Estado e, mais ainda, para seus aliados em Campina Grande, inclusive o deputado federal e pré-candidato tucano Romero Rodrigues.

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Em tempo:

O blog tentou insistentemente contato com José Cristóvão de Andrade (que, por sinal, foi professor deste blogueiro e é figura da nossa estima pessoal), mas o professor não atendeu às inúmeras chamadas telefônicas nem respondeu às mensagens SMS. O espaço, ainda assim, permanece garantido para, caso Andrade deseje, a qualquer tempo comentar o assunto.

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