O FIM DA HISTÓRIA

02/10/1957 - 01/02/2012 - Início e fim do Diário da Borborema

 Aos 54 anos, morreu, nesta quarta-feira, 02 de fevereiro, o Diário da Borborema, assim como seu irmão já centenário, O Norte. Pior para Campina Grande, que deixa de ter seu único jornal local. Um duro golpe para as comunicações na cidade, já combalidas pela existência de poucos veículos e pela infestação de penetras, picaretas e desqualificados no rádio, e cada vez mais sombreada pela imprensa de João Pessoa.

Durante os últimos 54 anos, o Diário da Borborema foi, de fato, um diário de Campina, um arauto da nossa história. Enfrentou e sofreu de todos os males que afetam a imprensa, mas cumpriu um papel de extrema relevância e dignidade, deixando, agora, uma lacuna irreparável.

Fiz parte do jornal durante quase dois anos. Apesar da pouca idade, tive a confiança dos chefes (destaque para Bastos Farias, Humberto Santos e Vera Ogando, aos quais muito agradeço) para exercer uma função de extrema responsabilidade, assinando uma coluna política. Busquei preservar o objetivo do espaço, exercendo o jornalismo opinativo, embora a opinião seja um perigo nestas terras paraibanas.

Tive liberdade para trabalhar, compreendia a linha da empresa, e não sofri qualquer censura, apesar do nariz torto de alguns políticos, sobretudo campinenses. Foi uma excelente oportunidade de trabalho, que muito me enriqueceu profissionalmente.

O fim do DB dói, e, como já disse no Twitter, não tanto pela perda de um bom emprego, afinal, empregos vêm e vão, mas, acima de tudo, por saber que Campina Grande perde seu arauto, seu diário. Apesar da tristeza, não posso atirar pedras na decisão, porque o jornal não deixa de ser uma empresa, um negócio, e, se não é mais viável mantê-lo vivo, melhor deixar que se vá com dignidade.

Sei que o jornal teve, no passado, dias mais gloriosos. Mas, ao contrário do que pensam alguns, não é verdade que, nos seus estertores, perdera o foco jornalístico. Não mesmo! Apesar – repito – de ter enfrentado e sofrido de todos os males que afetam a imprensa, o DB exerceu, até sua última edição, um jornalismo que valia a pena, e que nos orgulha.

Agora, a luta deve ser para que o acervo de 54 anos do DB fique em Campina. A intenção inicial da cúpula dos Associados é remetê-lo para Brasília. Lá, seria apenas um amontoado de jornais velhos. Aqui, é um diário da nossa história, uma fonte de estudo e pesquisa para a posteridade, um testemunho eterno da vida de Campina Grande durante meio século.

Obrigado a todos os colegas do DB. Muito me orgulho de ter feito parte, ao lado de vocês, da história do Diário da Borborema – O grande jornal de Campina.

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