GUILHERME MUDA O TOM

Pela primeira vez desde que anunciou sua intenção de entrar na corrida pelo Palácio do Bispo, o deputado estadual Guilherme Almeida (PSC) subiu o tom ao se referir ao prefeito Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) e às eleições majoritárias de outubro. Se não chega a ser um tom inteiro, foi pelo menos meio, o que, de qualquer forma, modifica a cantilena na qual o prefeitável vinha insistindo, ao afirmar e reafirmar seguidamente que ainda cria na possibilidade mais que improvável de o peemedebista apoiar seu nome na disputa, mesmo tendo um(a) postulante do seu próprio partido. A mudança pode ser percebida em uma nota divulgada pela assessoria do deputado.

No documento, Guilherme busca marcar terreno. “A candidatura do deputado é uma decisão irreversível. O pré-candidato garantiu que não vai abrir mão do seu projeto político e salientou que chegará ao pleito com força total para a disputa”. E, na briga pelo apoio do PR, vem o primeiro recado: “‘Serei candidato e tenho plena confiança de que o PR estará conosco nesse projeto’”, disse Guilherme, ratificando sua disposição para a disputa eleitoral de outubro e minimizando as declarações dadas pelo prefeito Veneziano Vital do Rêgo de que acreditava no PR parceiro do PMDB nas eleições”.

A seguir, outro ainda mais claro: “Para Guilherme, é direito do prefeito ir em busca dos apoios que necessita para a candidatura do PMDB, mas as investidas dele junto aos republicanos devem ser improdutivas”. O que, aparentemente, poderia ser apenas duas frases inexpressivas, revela realmente a mudança no tom do deputado quando se refere a Veneziano. Guilherme se mostra distante do PMDB e, por conseguinte, da cúpula do partido. E avisa que está disposto a competir com o aliado para ter o PR. Se ele poderá trocar esse meio tom mais alto por um tom inteiro nos próximos dias, é esperar para ver. Improvável não é, afinal, na política os descompassos costumam começar exatamente por meias palavras, até (a relação) desafinar de vez.

Sinais

Há outro fato a se somar. A nota de Guilherme Almeida marcando terreno vem a público pouco depois de a ex-prefeita Cozete Barbosa, do partido do deputado, também mudar o discurso quanto a Veneziano. Não com meio tom, mas com um arranjo inteiro.

Diapasão

Após amargar sete anos de ostracismo político, Cozete Barbosa encontrou abrigo no PSC, sob os auspícios de um solícito Guilherme Almeida. As declarações da ex-prefeita contra Veneziano soaram, para muitos, como um desfavor a Guilherme, que pleiteava o apoio do prefeito. Porém, quem garante que Cozete e Guilherme não estão afinados?

É contra

O reitor da UFCG, Thompson Mariz, que ainda sonha com a regularização da sua filiação ao PT, pelo qual quer ser candidato a prefeito de Campina Grande, criticou duramente o acordo celebrado pelas cúpulas estaduais do seu partido, do PSC e do PP.

Quem responde?

“Qual a identidade programática existente entre PT, PSC e PP? É possível construir uma aliança entre os três? Penso que sim, no segundo turno. Quando é que os políticos da Paraíba vão compreender que coligação se faz no segundo turno e que o programa do partido deve ser respeitado?”, questionou, enfático, Thompson Mariz. Boas perguntas.

Vai demorar

Vamos arriscar uma breve resposta ao terceiro questionamento do reitor Thompson: Talvez quando os partidos deixarem de ser reinozinhos de poder nas mãos de alguns políticos.

É guerra

O clima entre as prefeitáveis Daniella Ribeiro e Tatiana Medeiros esquentou de vez. A pepista criticou a saúde em Campina. Tatiana não respondeu, mas assessores o fizeram.

Vai mal

Um publicitário que já trabalhou com Daniella Ribeiro e atualmente é ligado à prefeitável do PMDB chegou a fazer insinuações gravíssimas contra a deputada estadual.

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O que tem se visto nessa fase de pré-campanha em Campina é uma verdadeira profecia do caos. Caminhamos – novamente – para uma campanha eleitoral de baixíssimo nível.

Publicado no Diário da Borborema de sábado, 28 de janeiro

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