GLÓRIA E VERGONHA

Vinte e quatro séculos antes de Cristo, os faraós egípcios já faziam uso de um sistema de correio considerado bem sucedido pelos historiadores. Por volta do século VI a.C, o serviço seria usado no grande império persa, com reconhecida eficiência. Mas, enquanto no Egito de 4.400 anos atrás e na Pérsia de 2.600 anos atrás já existiam os Correios, as cerca de setecentas famílias que vivem no bairro da Glória, em Campina Grande, em pleno ano de 2012 da era cristã, só conhecem esse serviço por ouvir falar. Os faraós escreviam para os reis babilônios, e o rei Dário para o gestor de qualquer satrapia persa, mas o morador do Glória não recebe uma correspondência em casa.

No último domingo, o bairro, criado para oferecer moradia digna aos habitantes da extinta favela da Cachoeira, foi capa do Diário da Borborema e, mais uma vez, entre as reivindicações da comunidade, está o pedido para que o serviço postal chegue à porta desta gente humilde. E, mais uma vez, o que se vê é a repetição de um jogo de empurra, que é encenado cada vez que a reivindicação se repete: A Agência Brasileira de Correios e Telégrafos empurra o problema para a Câmara Municipal, que empurra para o Poder Executivo, que não se manifesta... E nada se resolve. Eis um quadro perfeito, fotografia nua e crua, sem retoques, do que realmente é a política cá por estas bandas.

Aos mais humildes, a lerdeza da burocracia, a má vontade administrativa, a indigência. Ou alguém desconhece que se, ao invés de retiro dos ex-habitantes da Cachoeira, o Glória fosse o bairro dos doutores ou das vossas excelências, teria havido presteza e agilidade na solução da pendência? Ademais, é impossível não vincular tanta má vontade aos aspectos políticos que circundam a criação daquele bairro. O povo paga por ser refém da guerrilha partidária, que enxerga na ação pública de adversários políticos uma ameaça que, se não pode ser apagada, deve pelo menos ser ignorada. O quadro do Glória é um pequeno emblema da política real. E uma grande vergonha.

O óbvio

No sábado, o PTN oficializou o que era mais do que previsível. Apoiará a candidatura a prefeito do deputado federal Romero Rodrigues (PSDB). O diretório municipal aproveitou para lançar o presidente estadual, Fábio Medeiros, pré-candidato a vice.

Qualidades

“O PTN-CG aproveita o ensejo para lançar o nome de Fábio Medeiros para a composição majoritária (vice), sabedores de que a lealdade, a confiabilidade e a postura sempre idônea daqueles que compõem nossa legenda pode contribuir para a formatação de um projeto político forte e vencedor”, justifica o presidente local, Rubens Nascimento, em nota.

Desmentido

Durante seu programa semanal de rádio, o governador Ricardo Coutinho tratou como “uma mentira” a onda de boatos dando conta que o Governo do Estado estudaria a possibilidade de federalizar ou até mesmo privatizar a Universidade Estadual da Paraíba.

Credibilidade

“A UEPB não será privatizada ou federalizada. Ao contrário, o Governo do Estado irá investir cada vez mais. Quem tem esse tipo de postura, de mentir e enganar a população, não merece ter credibilidade”, afirmou Ricardo Coutinho. O governador não comentou outro boato, de que pretende trocar o duodécimo da estadual por uma espécie de mesada.

Distantes

A relação entre o vereador Fernando Carvalho (PT do B) e o governo municipal, do qual um dia (não muito distante, por sinal) ele já foi líder na Câmara, deteriora cada vez mais.

Vai e volta

Após fazer críticas à saúde e dizer que a Guarda Municipal só deve funcionar na próxima gestão, Carvalho foi duramente rebatido por Lídia Moura, coordenara Política da PMCG.

Interpretação

Já que Carvalho é pré-candidato a prefeito, Lídia lembrou que “os dias são de campanha eleitoral”, e interpretou que a fala do vereador sobre a Guarda Municipal “soa a má-fé”.

Substituição

O secretário Júlio César (Finanças), que disputará a prefeitura de Fagundes, queria ficar um pouco mais, mas já tem até substituto, o diretor financeiro da PMCG, Renan Trajano.

Publicado no DB desta terça, 31 de janeiro

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