VALE A PENA LER DE NOVO: 'MAIORIA SOME DAS REDES SOCIAIS APÓS CAMPANHA'

A reportagem a seguir foi publicada no Diário da Borborema em abril do ano passado. A pedidos, a publicamos no blog, para que o leitor possa perceber mais claramente como a postura da maioria dos políticos na internet é semelhante ao que já se conhece há tempos: passou a eleição, sumiço! Dos mencionados na matéria, vários já reapareceram na Web este ano.

Criado em março de 2006, o Twitter, rede social em que o usuário escreve mensagens de no máximo 140 caracteres, tornou-se uma das mais importantes ferramentas de interação da internet, contando atualmente com mais de duzentos milhões de usuários em todo o mundo. E o crescimento desse número é vertiginoso, com quase meio milhão de novas contas sendo criadas todos os dias.

O grande “boom” do Twitter aconteceu em 2008, quando o microblog teve papel relevante na campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. Diante de números tão convincentes e com comprovada capacidade de mobilização, a ferramenta passou a ser instrumento indispensável na atividade política. O grande diferencial do Twitter em relação a outras redes sociais está na sua ampla capacidade de interação. Com ele, o fã pode dialogar com o artista, o eleitor com o candidato, o cidadão com o mandatário. Para políticos e empresas, o grande atrativo é a vasta aglomeração de pessoas num mesmo espaço virtual.

Na Paraíba, o primeiro político a ganhar destaque pelo uso freqüente dessa rede foi o ex-governador Cássio Cunha Lima. De início, houve dúvidas quanto à legitimidade do perfil, até que o próprio Cássio confirmasse, em outras mídias, que era o proprietário da conta e que ele mesmo, e não um assessor, escrevia as mensagens quase diárias. Passada a eleição, embora em menor freqüência, Cássio continua interagindo com seus seguidores no microblog.

O mesmo não fazem alguns outros eleitos. Na semana passada, a Assembleia Legislativa divulgou que cerca de 60% dos deputados estaduais paraibanos utilizam as redes sociais. Segundo a matéria, 21 dos 36 parlamentares mantêm conta no Twitter. Na verdade, um levantamento feito na última sexta-feira revela que, somados os 36 deputados em exercício mais os dois que estão licenciados por comandarem secretarias (Manoel Ludgério e Adriano Galdino), destes 38 parlamentares, apenas vinte – logo, pouco mais da metade – estão inscritos no microblog.

O que não seria ruim, se não fosse um detalhe. Destes vinte, oito deixaram de usar a ferramenta (apesar de manterem as contas ativas) ou dela fazem uso muito raramente. Ricardo Marcelo (PSDB), Lindolfo Pires (DEM) e Trocolli Júnior (PMDB) não escrevem nada desde a campanha. O último “tweet” (recado) de Janduhy Carneiro (PPS) foi no início de março; o de Manoel Ludgério (PDT), em fevereiro, mesmo caso de Guilherme Almeida (PSC); o petista Frei Anastácio não diz nada desde novembro; sumido desde outubro, outro petista, Anísio Maia, apareceu timidamente esta semana.

Daniella Ribeiro (PP), passada a eleição, encerrou sua conta, alegando problemas com vírus – o que nem explica nem justifica. Esse quadro nos levaria à conclusão de que menos de um terço dos nossos deputados estaduais usam frequentemente o Twitter. Mas, ainda assim, a conclusão estaria equivocada, porque nem mesmo entre eles é possível usar o termo “frequentemente”.

Dos doze que deixaram algum recado nos últimos dias, a maioria usa o Twitter esporadicamente. Branco Mendes (DEM), por exemplo, só o fez dez vezes desde que criou sua conta. Antônio Mineral (PSDB), apenas 27, e Gervásio Maia (PMDB), 37.

Os campeões das redes sociais

Em números absolutos, o ranking dos deputados estaduais que mais escrevem no Twitter é liderado por Domiciano Cabral (DEM), que até a última quinta-feira havia deixado 757 “tweets”. Ele é seguido por Hervásio Bezerra (PSDB), com 698 recados, e Toinho do Sopão, com 570. Proporcionalmente, porém, as posições se invertem. Toinho, que só aderiu ao Twitter depois de empossado, é o mais ativo, sendo seguido por Hervásio, enquanto Domiciano tem andado sumido.

Já entre os deputados federais, o uso do Twitter é mais freqüente. Todos possuem contas no microblog, mas três deixaram de atualizá-lo há muito. Wellington Roberto (PR), Aguinaldo Ribeiro (PP) e Damião Feliciano (PDT) não dizem nada desde a campanha. Por outro lado, é um deputado federal o maior twitteiro entre os políticos paraibanos: Efraim Filho, do DEM, que já ultrapassou a casa dos 6.620 recados no microblog. Os três senadores paraibanos também usam essa rede social, mas não com freqüência. O mais falante é Vital do Rêgo Filho, do PMDB, com pouco mais de 1.800 recados.

Outro quesito importante no Twitter é a quantidade de seguidores (os chamados followers), aqueles internautas que estão acompanhando tudo o que o proprietário da conta diz. Quanto mais popular alguém, mais é seguido. Nesse aspecto, o campeão é o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), com mais de 25.900 seguidores, sendo acompanhado de perto pelo governador Ricardo Coutinho (PSD), com mais de 24.700. Em terceiro lugar vem o vice-governador Rômulo Gouveia, com quase 7.200 followers.

Deputados estaduais ignoram uso de portais

Outra ferramenta básica a qualquer político, sobretudo aos parlamentares, o site institucional, com informações sobre sua atuação no legislativo, também é negligenciado entre os deputados estaduais paraibanos. Mais uma vez levando em conta o total de 38 deputados (soma dos 36 eleitos mais os dois suplentes em exercício), somente oito, o equivalente a menos de 22%, mantêm um portal atualizado. Outros 14 têm sites, mas desatualizados.

Adriano Galdino (PSB), André Gadelha (PMDB), Francisca Motta (PMDB), Eva Gouveia (PTN), Gilma Germano (PPS), João Henrique (DEM), Lindolfo Pires (DEM) e Trócolli Júnior (PMDB) não atualizaram seus portais depois da eleição. João Gonçalves (PSDB) e Domiciano Cabral mantiveram só o domínio (endereço), com a página fora do ar. Econômicos, Márcio Roberto (PMDB) e José Aldemir (DEM) usaram blogs gratuitos e, mesmo assim, não os atualizam. O portal de Daniella Ribeiro não é alimentado há um mês, assim como o de Janduhy Carneiro (PPS).

Esse quadro revela que a maioria dos nossos parlamentares não julga necessário o investimento em mecanismos de prestação de contas e interação com os eleitores na internet. Alguns por ignorância, um entendimento retrógrado que despreza as novas tecnologias, julgando o custo com manutenção desse tipo de canal uma despesa inútil. Outros agem assim pelo tradicional desleixo no trato e na relação com eleitor após passadas as eleições. É o velho oportunismo da nossa política, também presente no mundo virtual.

Reportagem nossa publicada no DB de 17 de abril de 2011

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