OPINIÃO: 'A INDIGNAÇÃO DE DODA'. E MAIS: O SILÊNCIO DOS TUCANOS RICARDISTAS

Sem ambiente para continuar no PMDB após aderir de corpo e alma ao Governo do Estado, o deputado estadual Doda de Tião deixou o partido, garantindo que o vice-governador Rômulo Gouveia havia assegurado portas abertas no PSD. Contudo, ao encontrar essas mesmas portas fechadas a chave e cadeado, o parlamentar exasperou-se, porque contava com a filiação à nova sigla para não correr o risco de ter o mandato questionado na justiça por infidelidade partidária.

Salvou-se ingressando nos quadros do PPL, outra nova legenda, mas não poupou críticas duríssimas a Rômulo que, segundo Doda, é um “homem sem palavra”. Se o vice-governador prometeu mesmo receber o deputado em seu partido, não há como saber. Mas, de qualquer modo, o compromisso, se existiu, criaria uma situação tanto quanto constrangedora dentro do partido, tendo em vista que o prefeito de Queimadas e provável candidato a reeleição é Carlinhos de Tião, irmão de Doda, e o PSD tem candidato na cidade, o ex-deputado Jacó Maciel.

Ou seja, se o ex-peemedebista se filiasse ao PSD, a sigla, que já é bastante criticada pela composição heterogênea dos seus quadros, devia mudar para algo como PBL – Partido Balaio de Gatos. Seria constrangedor para todos, inclusive para o próprio deputado. Aliás, será que ele não pensou nisso em momento algum? Parece que não, já que reclamou que Rômulo Gouveia teria recuado por pressão do secretário de Estado Manoel Ludgério (Desenvolvimento e Articulação Municipal).

Só que Ludgério, além de ser um dos próceres pessedistas, o que naturalmente lhe assegura poder de veto, parece ter adotado uma posição lógica em defesa do seu próprio partido, afinal, Doda de Tião ingressaria na legenda somente para se livrar do PMDB sem riscos, mas, já no ano que vem, ficaria contra o partido, porque evidentemente vai apoiar o irmão. “Proposta indecente seria o PSD trair a justa postulação de Jacó Maciel como pré-candidato a prefeito de Queimadas”, declarou Manoel Ludgério, comentando o imbróglio.

Indecência

Em seu Twitter, Manoel Ludgério criticou as declarações de Doda de Tião e, em seguida, fez uma elucubração. “Conduta indecente para o ser humano é imaginar que, estando próximo ao poder, este lhe garantirá proteção para condutas ilícitas”, ponderou.

Adversários

Doda de Tião atribuiu a postura de Manoel Ludgério ao fato de que, em 2012, um irmão do primeiro e uma filha do segundo poderão se enfrentar na disputa pela prefeitura de Barra de Santana. Ludgério desmentiu: “Agradeço ao deputado Paulo Rogério o prematuro lançamento da inexistente candidatura de minha filha em Barra de Santana”.

Silêncio total

A exceção do vereador Tovar Correia Lima que, provocado pelo Diário Político, manifestou-se contrário às duras críticas do também vereador Inácio Falcão ao Governo do Estado, nenhuma liderança do PSDB refutou publicamente o discurso do parlamentar.

Postura

Nos bastidores, as críticas e até acusações de alguns tucanos contra Inácio Falcão são veementes. Mas, a verdade é que em público, alguns fazem de tudo para minimizar o episódio e, oficialmente, o PSDB se cala, postura adotada desde a direção municipal até o senador Cássio Cunha Lima. E, conforme já previne o ditado, “quem cala, consente”.

Ilegal

Pelo dano que a Greve do Fisco, que já durava cerca quase 50 dias, vinha produzindo ao estado, a decretação da ilegalidade do movimento pelo TJ era um desfecho esperado.

Radicalização

O resultado do julgamento no TJ foi acachapante: 10 a 3. A paralisação dos servidores do Fisco tinha uma cobrança justa, mas acabou ganhando tons políticos nos últimos dias.

No Senado

Em “defesa” do pessoal do Fisco, o senador Cícero Lucena discursou cutucando o Governo do Estado. É o hábito bem paraibano de usar o Congresso para a politicagem paroquial.

Inimigo

A deputada estadual Daniella Ribeiro (PP) está se vendo às voltas com um ex-assessor que, agora, trabalha pesado contra sua pré-candidatura à prefeitura de Campina Grande.

Publicado no DB de sábado, 19 do 11

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