OPINIÃO: CORREDOR DA MORTE

É raro, mas há quem veja com bons olhos o quadro geral do SUS. Há dois argumentos corriqueiros: 1) O sistema vem melhorando; 2) A nação mais poderosa do Mundo, os EUA, não possuem um sistema público de saúde. Dois sofismas. Sobre o segundo, é impossível se fazer um debate comparativo sério usando exemplos isolados. Ademais, não é preciso perder tempo com essa ilação. Basta lembrar que estamos no Brasil e que cabe-nos cuidar dos nossos problemas. Resta, assim, o primeiro ponto, a visão otimista do “copo meio cheio”.

Uma afirmação verdadeira que tenta esconder uma realidade macabra e cruel, que transforma todo e qualquer discurso ou argumento numa balela fajuta. Afirmar que o SUS “não vai tão mal” é escarnecer do sofrimento imposto a seres humanos. Mais que isso, é julgar aceitável que pessoas feridas, enfermas, com dores e mesmo agonizantes padeçam na indigência dos corredores dos hospitais, na negligência de voltar para casa sem atendimento, na peregrinação por socorro.

É julgar ser aceitável tanto desprezo ao sofrimento humano, tantas mortes por ausência de atendimento ou por socorro negligente, e que os pobres morram enquanto esperam na fila por uma consulta ou simples exame. Esse tipo de visão “otimista” só pode vir de quem tem interesse político, de quem é alienado, ou de quem nunca teve nos braços um filho morrendo sem socorro. A saúde pública no Brasil é escandalosa, vergonhosa, criminosa, um corredor da morte.

É muito fácil para quem não precisa do SUS apontar as qualidades do Sistema, minimizando suas mazelas. É fácil ignorar o sofrimento do outro, quando esse outro não é nossa mãe, nosso pai, nosso filho. A vida é o bem mais precioso e não pode haver índices de aceitabilidade ao tratamento cruel a seres humanos. Esse otimismo alienado e essa indiferença são terrivelmente inoportunos, porque são conformistas. O sentimento que deve marcar posição ante o caos da saúde precisa ser de revolta, para que se exija mudança radical e urgente.

Barreira

Se o deputado estadual Doda de Tião, do PMDB, estava mesmo planejando mudar-se para o PSD, encontrou a dura oposição do secretário de Estado Manoel Ludgério, presidente do diretório de Campina Grande e um dos próceres do novo partido.

Conduta

Perguntado sobre a possibilidade de filiação de Doda ao PSD, Ludgério foi enfático, cutucou o parlamentar e lembrou que o partido tem representante (e pré-candidato) em Queimadas. “O PSD não é refúgio para políticos de condutas inconstantes. Em Queimadas nosso compromisso é com Jacó” (Maciel, ex-deputado estadual), afirmou.

Na luta

Apesar de o senador-diplomado Cássio Cunha Lima já ter a data da posse agendada, o senador Wilson Santiago, mesmo com o diploma invalidado, não jogou a toalha. Sua defesa já impetrou recurso no TSE para tentar impedir que o tucano seja empossado.

Recursos

Além das ações dos seus advogados na Justiça, Wilson Santiago vai tentar operar manobras dentro do Senado, aproveitando que a Casa é dirigida por um peemedebista, José Sarney. Uma das jogadas seria protelar ao máximo a apresentação da sua defesa, que tem prazo de cinco sessões para acontecer. Santiago não vai entregar os pontos.

Discurso

O ex-vereador Ivam Freire voltou ontem à tribuna da Câmara Municipal, participando da sessão especial em homenagem aos 70 anos do Sindicato dos Comerciários de CG.

Histórico

Ivam Freire, que hoje vive no estado do Pará, mas deve voltar a disputar uma cadeira no legislativo municipal em 2012 pelo PC do B, já presidiu o Sindicato dos Comerciários.

Carona

Sem nada próprio a apresentar, a pré-candidatura do petista Alexandre Almeida surfa em ondas alheias. Ora nas ações do governo Dilma, ora nas ações da gestão Veneziano.

Enojado

Reclamação do vereador João Dantas: “Fogo amigo não é brincadeira. Quanta falsidade no meio político, coisa com a qual nunca me acostumei. Há momentos que dá nojo”.

Publicado no Diário da Borborema de hoje

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