MARLENE, CIDADÃ CAMPINENSE

Poucas vezes a Casa de Félix Araújo foi palco de uma tão justa homenagem quanto a de ontem, na entrega do título de cidadania campinense à professora Marlene Alves, reitora da UEPB. A honraria não faz de Marlene cidadã de Campina Grande, porque, na verdade, ela há muito já é uma ilustre filha desta terra, esta “Canaã de leais forasteiros”. O título é apenas um justo e apropriado reconhecimento.

Marlene Alves estabeleceu um novo paradigma de exercício do reitorado. Não apenas por ser a primeira mulher a exercer essa função na UEPB, porque, apesar da validade do feito, a conquista de espaços pelas mulheres é, felizmente, um processo inevitável. Assim, mais cedo ou mais tarde uma mulher assumiria a reitoria. O mais importante, todavia, é que Marlene não representou apenas uma mudança de gênero no comando da Estadual, mas uma transformação generalizada, uma revolução de perspectivas, o ingresso num ciclo de desenvolvimento que trouxe uma nova visão externa e interna da UEPB.

A conquista da autonomia financeira foi essencial para garantir esse progresso. Isso não se discute. Mas, a autonomia por si não seria garantia de transformação. Foi preciso competência e sensibilidade administrativa. Além disso, mais que um currículo acadêmico e um círculo de relações políticas que pavimentassem sua chegada à reitoria, Marlene tem um histórico de lutas pela universidade, que passa por uma greve de fome e pelo próprio esforço para conquista da autonomia.

Talvez por isso tenha quebrado o estereótipo típico de um ocupante do cargo: uma figura austera, tanto quanto sisuda, intelectual que respira – e espirra – conhecimento. Em vez disso, simplicidade e humildade aliadas a todos os atributos necessários para o desempenho da função. Em 2004, quando disputava sua primeira eleição para a reitoria, Marlene Alves tinha como slogan de campanha “Muda, UEPB”. E a UEPB mudou. Mudou e é justo reconhecer – como fez ontem a Câmara – o mérito dessa ilustre itaporanguense/campinense.

A pergunta

O anúncio do senador Cássio Cunha Lima de que apoiará a candidatura do também senador Cícero Lucena a prefeito de João Pessoa pode ter efeitos diretos sobre as eleições em Campina. O PSB apoiará o PSDB aqui sem a contrapartida na capital?

Direto ao assunto

O discurso do deputado Antônio Mineral ontem na tribuna da Assembleia Legislativa, criticando a presença de técnicos em cargos comissionados, confirmou aquilo que é de domínio público: uma das principais causas das freqüentes rebeliões de governistas contra a gestão estadual se dá por conta da famosa sede dos parlamentares por cargos.

Papai Noel

Pelas últimas declarações do prefeito Veneziano Vital do Rêgo, Papai Noel trará um presente especial a um dos peemedebistas que sonham ser escolhidos para representar o partido nas eleições 2012. Veneziano promete anunciar o agraciado antes do Natal.

Na disputa

A lista de candidatos a pré-candidato de Veneziano tem cinco nomes: José Luiz (vice-prefeito), os secretários Tatiana Medeiros (Saúde), Alex Azevedo (Obras), Metuselá Agra (Juventude, Esporte e Lazer) e o ex-deputado federal Walter Brito Neto. No núcleo peemedebista, fala-se que o nome de Walter consta da lista só para não ferir seu ego.

Desafio

O secretário de Finanças do Município, Júlio César Cabral, desafiou o Sintab a provar o não repasse aos bancos das consignações dos servidores. O Sintab apresentará provas?

Lembrando

A direção do Sintab acusa a PMCG de não repassar as consignações aos bancos, razão pela qual, inclusive, algumas agências estariam negando novos empréstimos a servidores.

Tributação dupla

A Assembleia aprovou o Projeto de Lei que pretende tributar produtos comprados pela internet. Um grande absurdo, que penaliza o consumidor e restringe seu direito de escolha.

Personalização

O vereador Inácio Falcão usou o termo doação para se referir às emendas destinadas por congressistas paraibanos ao estado. Doação seria se os recursos viessem dos bolsos deles.

Publicado no DB desta quarta, 23 do 11

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