SOBREVIDA PARA SANTIAGO

Em 2008, o paraibano Walter Brito Neto tornou-se o primeiro deputado federal a ser cassado por infidelidade partidária no Brasil. Ele assumira a titularidade do mandato no ano anterior, após a renúncia de Ronaldo Cunha Lima, mas o Democratas, partido pelo qual havia conquistado a segunda suplência em 2006, tendo, em seguida, se transferido para o PRB, acionou a justiça, sendo a ação acatada pelo Tribunal Superior Eleitoral no mês de março.

Depois disso, Walter agarrou-se a toda sorte de brechas jurídicas possíveis para manter-se no cargo e, quando isso não mais foi possível, apelou para o corporativismo dos seus pares. O caso gerou uma enorme pendenga entre o judiciário e o legislativo, com trocas de farpas públicas entre o ministro Ayres de Brito, presidente do TSE, e o deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara. Major Fábio, que de uma distante quarta suplência via o mandato lhe cair no colo, teve que esperar até dezembro para finalmente assumir a cadeira ocupada por Walter Neto.

Agora, o peemedebista Wilson Santiago se vale de expectativa semelhante à do ex-deputado para continuar no Senado, mesmo com o diploma já anulado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Na última quarta-feira, familiares e amigos do tucano Cássio Cunha Lima foram a Brasília, na expectativa de sua posse no mesmo dia, mas o todo-poderoso presidente José Sarney, peemedebista como Wilson, resolveu adiar a substituição na bancada paraibana para o próximo dia 07, assegurando ao correligionário prazo para defesa.

Isso embora reste a dúvida sobre de que Santiago se defenderá, já que a razão que o leva a deixar o cargo é de ordem inquestionável: teve menos votos que seu oponente. É improvável – mas quem garante que seja impossível? – que José Sarney consiga dar a Wilson Santiago a mesma sobrevida que Arlindo Chinaglia deu a Walter Brito Neto. Seja como for, ninguém se surpreenda se essa novela, que parecia ter chegado ao último capítulo, ainda se estender pelas próximas semanas ou meses.

Confusão

Após a eleição por aclamação na última quarta da deputada estadual Gilma Germano para a presidência do PPS, o circo pegou fogo dentro do partido. Caberá à direção nacional tentar por ordem na casa. Ordem, porque paz já parece coisa impossível.

Vai render

O ex-presidente do PPS, José Bernardino, entregou o cargo de secretário executivo da Administração Penitenciária, confirmando seu rompimento com o Governo do Estado, e parece ter o apoio do comando nacional. Ontem, o deputado Roberto Freire, presidente do PPS, confirmou que a meta é ter candidato a prefeito nas principais cidades do país.

Esqueceu

A deputada federal Nilda Gondim (PMDB) acusa o governador Ricardo Coutinho de, negando seu discurso de campanha, não cumprir promessas e perseguir servidores. “Parece que o governador passa atualmente por um processo de amnésia”, declarou.

Escândalo

O deputado estadual Vitoriano de Abreu (PSC) fez uma denúncia gravíssima na tribuna da Assembleia, ao acusar o presidente da Câmara Municipal de Cajazeiras de praticar estupro contra menores até dentro da própria casa legislativa. A acusação é tão grave que se o acusador não apresentar provas é ele quem merece receber uma dura punição.

Na Capital

Ontem, o governador Ricardo Coutinho e o vice-governador Rômulo Gouveia estiveram em Brasília, onde tiveram audiências com ministros e diretores de departamentos federais.

Vidão

A malemolência da maioria dos vereadores de Campina Grande é de estarrecer. As sessões estão frequentemente vazias, não raro sendo encerradas por falta de quórum.

Fora do ar

Não é a toa que os faltosos contumazes da Câmara são, segundo outros vereadores, contrários à instalação da TV Câmara CG. Nesse “ibope” eles não estão interessados.

Nem aí

Além da ausência, alguns parlamentares mantêm uma postura de profundo alheamento e indiferença quando em plenário. A “vida” na CMCG depende de quatro ou cinco vereadores.

Publicado no Diário da Borborema de 28/10

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