OPINIÃO: 'A DEPRAVAÇÃO DA AUTORIDADE'

De todas as crises e adversidades que uma nação pode enfrentar, nada é tão devastador quanto o mal que assola o Brasil. Os terremotos que sacodem o Japão, os furacões que levam cidades dos Estados Unidos pelos ares ou os vulcões que arrotam fumaça e medo sobre islandeses e chilenos, nada pode se comparar à desgraça que, genericamente, classificamos como corrupção, essa gangrena incontrolável que é uma triste marca do nosso país.

Parte substancial dos recursos destinados à saúde, educação, programas sociais e infraestrutura seguem por esse ralo, indo engordar contas correntes em paraísos fiscais ou caindo nas mãos de laranjas e testas de ferro. Parlamentares exigem o “dízimo” das emendas repassadas às prefeituras. Prefeitos e governadores cobram comissão de empreiteiras.

Senadores, deputados e vereadores negociam mensalões e mensalinhos para votar matérias do executivo. Uma cadeira que vale R$ 50 é comprada para uma repartição por R$ 200, como se fosse a que vale R$ 180.

A corrupção, como uma enfermidade crônica e degenerativa, consome o Brasil. E o que mais impressiona é a depravação do conceito de autoridade, que é vista como ocasião para se locupletar da coisa pública e passar por cima do brasileiro “comum”. Enquanto fala-se em arrocho fiscal, o Congresso, que escarnece da nação, aumenta seus gastos já estarrecedores e pare escândalos com chocante fertilidade.

Por outro lado, o judiciário, cada vez mais prepotente e onipotente, tem transformado seus membros em pequenos reis, e a Associação da categoria, num gesto de extremo corporativismo e afronta ao clamor nacional por moralização, recorre ao STF para inviabilizar a atuação do Conselho Nacional de Justiça contra magistrados que cometam crimes.

Padecemos uma crise moral histórica, mas que toma dimensões sem precedentes. Ontem, a Marcha contra a Corrupção levou 13 mil pessoas a Brasília. Será preciso muito mais. Será necessário o envolvimento de toda a nação no combate a essa praga que nos assola.

O possível

“Para que todos ganhem, é preciso que todos cedam. Não teremos uma proposta ideal, mas chegaremos ao máximo de convergência possível, visto que não há unanimidade”. Vital do Rêgo Filho (foto), senador, sobre a polêmica divisão dos royalties do petróleo.

Debandada

Além de Campina Grande, o PT do B também passou por um desmanche em Lagoa Seca. Lá, a saída em massa de filiados (dizem que cerca de quarenta) e dirigentes teria sido motivada por uma intervenção direta do presidente estadual do partido, o deputado Genival Matias, que entregou o comando da legenda na cidade a Gilvando Carneiro.

A culpa

O ex-prefeito de Serra Branca, Zizo Mamede (PT), acusa o atual prefeito, Dudu Torreão (PMDB, foto), de ser o principal culpado pela não classificação da cidade entre as que receberão recursos do PAC 2 para financiamento de obras de esgotamento sanitário.

Erro grosseiro

Segundo Zizo, há um projeto aprovado em 2008 (na sua gestão) pela Funasa, cuja primeira etapa já teria sido licitada. “A cidade foi desclassificada por dois motivos grosseiros. Primeiro: tentaram aprovar um novo projeto diferente do já aprovado. Segundo, por não ter começado a obra, já que parte do dinheiro estava liberada”, disse.

Cotação

O jovem vereador Sandro Brito, presidente da Câmara de Taperoá, aparece como opção do PT para a disputa majoritária na cidade. Sandro, porém, evita falar em candidatura.

Vida dura

Quantos vereadores comparecerão à sessão ordinária da Câmara Municipal de CG nesta quinta-feira pós-feriadão? Na quinta passada não houve atividade por falta de quórum.

Disputa em família

O suplente de vereador Fabrini Brito permanece filiado ao PRP e deve ser candidato nas próximas eleições, quando poderá ter como adversário o irmão, Walter Brito Neto (PMDB).

Trabalho

Já que a paz parece impossível, que tal Prefeitura Municipal e Governo do Estado, ao invés da briga para saber quem faz menos, arregaçarem as mangas para ver quem faz mais?

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