OPINIÃO: 'EXTERMÍNIO NA PARAÍBA'. E MAIS: UM TERÇO DOS CAMPINENSES PRECISA DO FOME ZERO PARA PODER SE ALIMENTAR (?)

A presença de figuras do alto escalão da Polícia Militar no comando de grupos de extermínio, além de membros da Polícia Civil e autoridades de diversos segmentos que apóiam, financiam e dão proteção institucional às milícias, é uma denúncia antiga e praticamente uma certeza na Paraíba. Mas, nem mesmo as investigações de uma CPI da Câmara dos Deputados, que tem como relator o paraibano Luiz Couto, chegaram ao ponto que interessa: apontar os “peixes grandes” que comandam o sindicato da morte no estado.

Com isso, toda a corporação se vê sob o manto da suspeita e descrédito perante a população, quadro agravado pelas freqüentes e infelizes declarações generalistas de Couto. Na última semana, uma emissora de TV nacional trouxe reportagens sobre as milícias do Rio de Janeiro e da Paraíba. Aqui, foram apontados como chefes desses grupos o coronel Kelson de Assis Chaves, ex-comandante-geral da PM e irmão do atual comandante-geral, Euller Chaves, e o major Gutemberg Nascimento.

Gutemberg seria dono de uma empresa de segurança que utiliza policiais em serviço. O major nega as acusações, diz que a empresa usa policiais que estão de folga, e assegura que foi absolvido em todos os processos a que respondeu. Kelson Chaves, por sua vez, está nos EUA, onde participa de um congresso, e negou as acusações. “Jamais me desviei dos ideais um dia abraçados. Não é agora, nesse instante de vida, que irei abandoná-los. Sou um eterno soldado e me orgulho disso. Estou pronto à batalha e dela não arredarei um milímetro para defender a verdade”, disse, no Twitter.

É urgente apurar essas denúncias e, se for o caso, punir severamente os responsáveis. É necessário expurgar a Polícia Militar daqueles que se desviam. Mas, Luiz Couto essa CPI devem dar encaminhamento às denúncias que têm em mãos, porque o combate aos grupos de extermínio não pode servir de ferramenta para lucro eleitoral, nem de arma para extermínio moral de cidadãos atingidos por acusações extra-oficiais.

Defesa

O coronel Euller Chaves, comandante-geral da Polícia Militar na Paraíba, fez questão de se solidarizar publicamente com o irmão, Kelson. “Querido irmão, receba minha integral solidariedade e um afetuoso beijo. A verdade sempre vence”, declarou.

Solidariedade

Dos Estados Unidos, Kelson Chaves agradeceu os inúmeros gestos de solidariedade que tem recebido de amigos e familiares. “O instante é de agradecimento. A Deus, pelo amor que me envolve; à família, pelo zelo e cuidado; aos amigos, pela solidariedade presente. Manter-me-ei silente, confiante em Deus e na verdade”, comentou o coronel.

Em festa

A chegada do ex-governador Cássio Cunha Lima a Campina Grande no domingo foi em clima de apoteose. A classe política se fez presente em peso no aeroporto João Suassuna e, além de carreata, houve até uma espécie de comício no bairro da Liberdade.

Parceiro

Durante seu discurso na Liberdade, Cássio procurou desfazer as especulações de que sua volta ao poder deve implicar no seu afastamento do governador Ricardo Coutinho, que estava ao seu lado no palanque. “Estarei lá como seu parceiro, como seu aliado, como um colaborador seu, para que eu possa ajudar no sucesso do seu governo”, disse.

Abrangência

O coordenador do Fome Zero em Campina Grande, Eder Rotondano, revelou ontem que, atualmente, são destinadas cerca de 34 mil cotas do programa a famílias da cidade.

Conceito

O Governo Federal conceitua o Fome Zero como “uma estratégia para assegurar o direito à alimentação adequada às pessoas com dificuldades de acesso aos alimentos”.

Contas

Já que, segundo Éder, 34 mil famílias são beneficiadas pelo Fome Zero em Campina, se calcularmos uma média de quatro pessoas por família, temos 136 mil pessoas atendidas.

Conclusão

Logo, pode-se dizer que pelo menos um terço da população campinense não tem condições de se sequer alimentar sem o socorro público? São números espantosos e assustadores.

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