ESTRELA DE MIL FACES

Do seu nascimento até chegar ao Palácio do Planalto, o Partido dos Trabalhadores foi a cara e a voz da oposição no Brasil, com uma postura marcantemente de esquerda, um postulado de bandeiras de interesse sobretudo das classes menos favorecidas e um discurso moralizador. Mas, para chegar ao poder, o PT mudou, cuidou de adequar-se, dar um tom mais ameno à voz rouca do seu principal astro, Lula. A metamorfose da estrela vermelha, todavia, estava apenas no começo.

O PT se transformou pelo poder e se transformou ainda mais no poder. De Lula a Dilma Rousseff, o partido confirmou o que experiências à frente de governos municipais e estaduais já haviam revelado: o PT só é esquerda quando é oposição. Nos últimos dez anos, a sigla negou praticamente todos os seus discursos e enunciados de outrora, mantendo, dos seus tempos de esquerda, apenas as intenções sombrias, como os planos de controle da informação, imprensa e opinião, e o sonho de perpetuação no poder.

Hoje, o PT abraça e senta-se à mesa com tudo e todos que um dia condenou, da política econômica a Fernando Collor de Melo, José Sarney e outros anátemas de um passado não tão distante. Hoje, o PT esmaga aposentados, se amesquinha para o trabalhador, força o aumento da carga tributária, promove governos de escândalos, mantém-se no poder com assistencialismo aos mais pobres e lucros estratosféricos aos mais ricos, desmoraliza (isso, sim, prática da verdadeira esquerda) adversários, e resguarda com zelo a “honra” de delúbios, dirceus e paloccis.

Ainda assim, estimula militantes e agregados a atacarem o imperialismo, a imprensa direitista, a burguesia nacional, numa arenga insana. E, quando as freqüentes imoralidades pipocam no Palácio do Planalto, fala-se em faxina, embora todo o lixo seja varrido para debaixo do tapete. A estrela do PT tem mil faces. São mil caras, uma para cada oportunidade e necessidade. A estrela do Partido dos Trabalhadores só não tem mais a cara do trabalhador.

Mágoas

O ex-governador José Maranhão teria afirmado, na última sexta-feira, ao revelar-se magoado por não ter conseguido um cargo no Governo Federal, que não quer mais saber do assunto e só pensa em 2012, quando quer ser candidato a prefeito da Capital.

História

Durante seu pronunciamento, José Maranhão teria dito que todos os cargos que ocupou até hoje foram conquistado pelo voto. Não é bem assim. Ostentando o recorde de mais tempo à frente do governo da Paraíba, Maranhão foi eleito para o cargo somente uma vez, em 1998, contra Gilvan Freire, ainda assim numa eleição praticamente plebiscitária.

Vai ficando

O vereador Laelson Patrício, que estudava deixar o PT do B, teria resolvido ficar e apoiar o projeto de candidatura majoritária do vereador Fernando Carvalho, agora seu colega de partido. Mas, em se tratando de Laelson, certeza mesmo só após 07 de outubro.

Vai saindo

Laelson andava temeroso de que Carvalho desista de disputar a prefeitura e seja candidato a vereador, inviabilizando sua reeleição. Quem está de saída do PT do B, porém, é o secretário estadual da sigla, Mário Cézar. “Creio que fiz história num partido que outrora ninguém conhecia e que passou a ser desejado por muitos”, afirmou Cézar.

Sem saudade

Mário Cézar, que até recentemente presidia o diretório local do PT do B e planejava ser candidato a vereador em 2012, não revelou as razões da sua saída, mas admite que sua ausência tende a não ser chorada. “Sei que não deixarei muitas saudades”, comentou.

Efeitos

Voltando ao assunto José Maranhão, se o ex-governador estiver mesmo decidido a ser candidato a prefeito de João Pessoa, esta sua resolução pode terminar de empurrar o deputado federal Manoel Júnior, que também quer concorrer, para os quadros do PSC.

A questão

O namoro com o PSC vem de longe. No imbróglio envolvendo o Ministério do Turismo, os primeiros votos de solidariedade vieram do presidente do PSC, Marcondes Gadelha. A dúvida: o deputado arrisca sofrer um processo por infidelidade do PMDB?

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