APÓS 50 DIAS DE ESPERA POR UMA CONSULTA DE URGÊNCIA, IDOSA FAZ ‘PEREGRINAÇÃO’ ATÉ CLÍNICA NO ITARARÉ, MAS NÃO É ATENDIDA

Fac-simile da requisição

Com uma solicitação de consulta em mãos, a dona de casa Maria (não vamos identificá-la, a pedido) de 62 anos, precisou acordar muito cedo nesta terça-feira, para se deslocar do bairro de Bodocongó até a longínqua Clínica Escola da Facisa, “do outro lado do mundo”. De ônibus, uma longa viagem. Para uma sexagenária com problemas de varizes e dependente de medicamentos para regulação da pressão, uma tortura.

Mesmo assim, meia hora antes das 8h15, horário agendado para a consulta, dona Maria já estava na recepção da clínica. Mal chegou, e foi informada de que a médica responsável pela consulta, a pneumologista Andréa Braga, estaria viajando a serviço, só voltando à cidade na terça-feira da próxima semana.

O sentimento? “Humilhação, revolta. A pessoa fazer esse sacrifício todo para isso? E agora ainda dizem que tenho que remarcar a consulta? Não vou remarcar nada, não vou vir nesse fim de mundo de novo”.

O procedimento foi agendado no dia 08 de agosto, por requerimento da médica da Unidade Básica de Saúde da Família da Rua Florípedes Coutinho, em Bodocongó, Lígia Almeida Bezerra. Na requisição, em letras garrafais, o pedido de urgência na consulta. Mas, mesmo assim, cinqüenta dias depois, dona Maria voltou para casa, após sua dolorosa peregrinação, sem ser atendida.

Pelo menos duas perguntas ficam no ar: 1) Com quantas outras senhoras esse caso se repetiu? 2) Se a médica estaria ausente, e essa ausência já era prevista, por que pelo menos não se avisar aos pacientes?

Resta, ainda, uma terceira: Não há, nesse episódio, uma indiferença escandalosa em relação às limitações, dificuldades e sofrimentos de uma pessoa humilde?

Facisa: Responsabilidade é da PMCG

A assessoria de imprensa da Facisa, através de nota, alegou que “por meio de ofício, no dia 16 de agosto, a Gerência da Clínica Escola da FCM comunicação Coordenação da Central de Marcação de Consultas da PMCG que o atendimento da professora Andrea passaria a ser nas terças-feiras, a partir das 13 horas”.

Diz ainda a nota: “Mesmo não tendo responsabilidade direta pelo transtorno, uma vez que a Clínica Escola comunicou a mudança com antecedência (mais de um mês), a unidade de saúde da FCM se coloca a disposição da paciente para tentar agilizar o atendimento. A paciente pode entrar em contato direto com o gerente Wamberto Barbosa, através do telefone 2101-8886”.

Mais uma questão

Se a justificativa da Facisa é legítima, convém indagar: por que a Secretaria de Saúde não comunicou a estes pacientes da mudança no atendimento? Ora, mesmo que fosse impossível comunicar a cada um individualmente, a pasta tem amplo acesso à imprensa e, desde o dia 16 de agosto, teria tido tempo de sobra para evitar que pessoas humildes – e, além do mais, enfermas – padecessem tantos transtornos.

2 comentários

Simone Nascimento disse...

tem mais de um ano e meio que estou com uma solicitação de exame no posto da Catingueira, mas a saúde em CG é maravilhosa.

Simone Nascimento disse...

tem mais de um ano e meio que estou com uma solicitação de exame no posto da Catingueira, mas a saúde em CG é maravilhosa.

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