OPINIÃO: QUE PARECE, PARECE

Não dá para negar que a protelação do caso do ex-governador Cássio Cunha Lima no Supremo Tribunal Federal abre margem para toda a sorte de especulações e ilações quanto à isenção política da instância máxima da justiça brasileira. Cria-se, em torno da postura lerda, indiferente e de indisfarçável má vontade do STF, o combustível que alimenta supostas lendas, como aquelas que garantem que o PMDB de Wilson Santiago mantém decisivo poder de influência sobre a corte.

Ou aquela outra, que enxerga no ministro Joaquim Barbosa intenções vingativas, ainda motivadas por sua revolta diante da renúncia de Ronaldo Cunha Lima em 2007, para escapar do julgamento no Supremo pela tentativa de homicídio contra o ex-governador Tarcísio Burity. À época, Joaquim Barbosa, relator do processo contra Ronaldo, não escondeu sua indignação. “O ato é um escárnio para com a Justiça brasileira e para com o STF em particular. O que ele fez foi impedir que a justiça funcionasse”, afirmou, naquela ocasião, o ministro.

Se o retardamento do Supremo em relação ao caso Cássio é mesmo um gesto de favorecimento intencional ao PMDB ou de retaliação à família Cunha Lima, não há, claro, como provar. De qualquer forma, é impossível não se admitir que, como diziam os antigos, “tem coisa que parece coisa”. Ademais, ainda que não haja nada, a postura da corte é profundamente lamentável e reprovável. Não porque deixe de empossar o ex-governador no Senado, mas porque deixa de resolver o caso.

Se Cássio não deve, por alguma razão jurídica, assumir o cargo, que seja barrado de vez. Se pode, se não há nenhum impedimento, que seja empossado. O que não pode é a justiça agir como se não devesse nenhuma satisfação à sociedade, e que mantenha indefinidas as eleições na Paraíba, passados praticamente onze meses desde o primeiro turno de 2010. É inadmissível que o eleitorado paraibano, tendo ido às urnas e sufragado um nome, tenha, até agora, sua decisão ignorada, mesmo estando o Brasil sob a égide do sistema democrático.

Lamento

Essa semana, o ex-governador Cássio Cunha Lima voltou a lamentar, via Twitter, a indefinição do seu caso. “Tive negada a proteção jurisdicional do Estado. O ministro Lewandoviski devolveu a Ação Cautelar para o gabinete de Joaquim Barbosa”, escreveu.

Comparação

Questionado por um internauta sobre o fato de, após ter o mandato de governador cassado, também ter se valido de efeitos protelatórios, Cássio disse que são casos diferentes. “Quando agravei a decisão do TSE foi fora do cargo. Por que agora não? E, em ambos os casos, fui eleito pela soberania do voto. Pode parecer um detalhe, mas não é”.

Recordista

A secretária de Saúde de Campina Grande, Tatiana Medeiros, disse, essa semana, durante audiência pública na Câmara Municipal, que, entre os secretários municipais, é, proporcionalmente, quem mais atendeu aos convites e convocações dos vereadores.

O fato

A conta de Tatiana Medeiros tem sentido. Desde o início do ano, quando deixou a coordenação do Samu e assumiu a Saúde, a secretária já atendeu a diversos chamados da Câmara, além de também não fugir da imprensa. Ao contrário de outros auxiliares municipais que evitam as sabatinas, tanto com os vereadores quanto com os jornalistas.

Avaliação

O vereador Olimpio Oliveira (PMDB), durante entrevista ao programa Opinião, da TV Borborema, na última sexta-feira, fez uma rápida avaliação do seu mandato. “Hoje, já sou considerado o vereador que mais tem leis importantes e efetivas na cidade”, falou.

Eficiência

Apesar de os políticos terem o hábito de serem muito bondosos em suas autocríticas, a verdade é que Olímpio Oliveira é, realmente, o vereador que mais apresenta projetos relevantes para o cotidiano do cidadão campinense. Desempenha um mandato eficiente.

Filosofia

Após ficar sem mandato e voltar a dedicar-se à medicina, o ex-deputado federal Armando Abílio, chefe do PTB estadual, tem adquirido ares de filósofo. Um exemplo: “Todos são iguais perante a Lei, só que alguns podem pagar advogados mais caros”.

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