TRIBUTO A FÉLIX ARAÚJO - MORTE DO 'MÁRTIR DO DEVER E DA CORAGEM' COMPLETA HOJE 58 ANOS

Soldado voluntário na II Guerra Mundial
Esta terra de bravos / Não será terra de escravos / Nem reinado de opressão”. Esses três versos compõem aquela que talvez seja a mais bela poesia sobre Campina Grande. A grandeza de um poema, e aí está mais uma evidência, não está na extensão das suas estrofes. Seu autor, o jovem tribuno, jornalista, soldado, estudante de direito, poeta e vereador Félix de Souza Araújo, cabaceirense adotado por Campina, viveu apenas um pouco mais de três décadas e, mesmo assim, tornou-se o maior legado de honra e amor a esta terra.

Hoje, 27 de julho, faz exatamente 58 anos que Félix Araújo, a despeito dos cuidados do amigo e enfermeiro Manoel Barbosa, a despeito de todas as orações dos seus irmãos campinenses, entregou a alma ao Criador, encerrando uma luta pela vida que durou quatorze dias, desde que fora covardemente ferido a tiro pelo bandido João Madeira. Morreu no cumprimento do dever, apurando – mesmo sob ameaças – denúncias de irregularidades na administração do então prefeito Plínio Lemos.

“As pessoas choravam pelas ruas, não acreditando que Félix havia morrido”, contam os antigos. “Houve uma comoção popular. A cidade se envolveu, chorou, parou. Não se falava de outra coisa. Mais da metade da população compareceu ao enterro”, conta o irmão de Félix, o ex-vereador Mário Araújo, que, do alto dos seus quase 87 anos, caminha, praticamente anônimo, pelas ruas campinenses, carregando em seu passo lento e determinado detalhes de uma época e de uma história que se confundem com a trajetória da própria Rainha da Borborema.

Decorridos 58 anos desde aquele dia de pranto, não obstante essa cidade não cultivar o hábito de ensinar sua própria História, Félix Araújo permanece vivo, e viverá enquanto essa terra que tanto amou viver – um legado assim, o tempo não pode degenerar. O aguilhão da morte trespassa, mas não aniquila aqueles que nasceram para serem eternos. Félix ainda vive, e viverá para sempre na crônica de Campina Grande e na alma da posteridade desta terra de bravos!

Publicado no Diário da Borborema de hoje

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A seguir, você pode ouvir uma reportagem que fizemos há três anos, na qual seu Mário Araújo conta detalhes do ataque e morte de Félix Araújo.
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