POLÍTICA DO ABUTRE


Em meio ao caos estabelecido na saúde pela greve dos médicos e na educação, pela paralisação dos professores, torna-se mais evidente do que nunca a deplorável e mesquinha postura de alguns representantes da oposição, que se valem da turbulência que afeta, sobretudo, aos mais pobres para potencializar a eterna campanha eleitoral da Paraíba. Um exemplo desse comportamento lastimável foi dado pelo deputado estadual Caio Roberto, do PR.

“Governador, pegue sua nave, volte para o seu planeta e deixe Rômulo (Gouveia), o vice, cuidar da Paraíba. Vou incluir a renúncia de Ricardo Coutinho nas minhas preces de hoje. Talvez amanhã ele suma e nossos professores e médicos voltem a trabalhar”, disse Caio Roberto. Como pode um deputado, diante de um cenário complexo que agrava ainda mais a já terrível saúde pública, num quadro literalmente de vida ou morte, fazer uma declaração tão inapropriada, tão descabida, tão infeliz, como se uma crise de tamanha seriedade fosse um mero mote de campanha?

A eleição de 2010 acabou! A campanha de 2012 e 2014, ao menos oficialmente, está longe de começar. Será que nossos políticos não conseguem entender isso? Será que essa geração de políticos passará sem contribuir para o desenvolvimento de uma nova mentalidade, mais democrática, mais preocupada com o todo, menos focada no próprio umbigo?

A oposição tem que exercer seu papel com firmeza, mas também com seriedade. Não pode se comportar como um abutre a fazer voos rasantes em volta de um bicho moribundo, torcendo para que o pobre morra logo, a fim de saciar seu ventre insaturável! Não é possível que a Paraíba continue assistindo à ininterrupta divisão que sempre leva um dos lados (o que se encontra apeado do poder) a torcer e trabalhar para inviabilizar o outro (o que governa), a fim de conquistar, com isso, dividendos eleitorais. O povo é que pena em meio a esse cabo de guerra. E o povo não pode continuar a ser tratado como ração de políticos que se comportam como abutres.

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