A MOTIVAÇÃO DA GREVE

A decisão dos professores da Universidade Estadual da Paraíba, que resolveram cruzar os braços após 10 anos sem greves, surpreendeu do primeiranista à reitora Marlene Alves. Acontece que, na noite anterior, a reitora, seu vice, Aldo Maciel, e o pró-reitor de planejamento, Rangel Júnior, estiveram reunidos durante quase quatro horas com o governador Ricardo Coutinho e o secretário de Interiorização, Adriano Galdino.

E, ao fim do encontro, conforme Rangel, o entendimento foi de que o impasse estava resolvido, já que o governador se comprometeu a rever o cálculo do duodécimo, em conformidade com a solicitação da UEPB, além de honrar a parcela referente a dezembro, que não foi paga pelo governo Maranhão. Logo, segundo entende o pró-reitor, estavam atendidas as reivindicações dos professores e técnicos, não havendo mais motivações para a greve. Conforme Rangel, esse também foi o entendimento de Marlene Alves – que, porém, não interfere na decisão dos docentes e técnicos.

“Não passamos três horas e quarenta minutos numa reunião para jogar conversa fora. Isso se faz em mesa de bar”, disse Rangel Júnior ao Diário Político. “O governador do Estado, com uma forte crise de sinusite, não ficaria todo esse tempo negociando e dialogando se não estivesse interessado em resolver o impasse. Agora, querer que a palavra do governador seja dada por escrito, assinada, é coisa que nunca se viu numa negociação. Aliás, ninguém negocia com a corda no pescoço”, acrescentou o professor.

O pró-reitor ainda lembrou movimentos históricos, como a paralisação de 2001, quando os professores, inclusive a agora reitora Marlene Alves, fizeram greve de fome porque não eram recebidos pelo então governador, José Maranhão. Para Rangel, a greve é um instrumento valioso, que deve ser guardado para o momento devido, para não acabar banalizado. O fato é que, com uma radicalização mal explicada, os grevistas perdem o discurso, banalizam a deflagração da greve e perdem o apoio da opinião pública.

Sem contato

O Diário Político tentou falar com os presidentes do Sintesp, que representa os técnicos, e da Aduepb, que representa os professores. Severino dos Ramos, do Sintesp, não foi localizado, e José Cristóvão de Andrade, da Aduepb, não atendeu nossas ligações.

A razão

Boletins disponibilizados pelas duas entidades em seus portais confirmam que a greve tinha como justificativa a “defesa à autonomia financeira da universidade, com a garantia do repasse na íntegra do duodécimo conforme a lei” (Aduepb) e “falta de interesse do governo em respeitar a autonomia” (Sintesp). E agora, qual a justificativa?

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