MARKETING EXTRAVAGANTE

Reli, esta semana, o livro “O moído de 2002 – Bastidores de uma campanha eleitoral que rachou a Paraíba”, do publicitário Stalimir Vieira. Tendo trabalhado para o PMDB, que teve como candidatos naquele ano José Maranhão e Tarcísio Burity, para o Senado, e Roberto Paulino, a governador, Stalimir conta sua versão daquela acirrada disputa, num relato interessante pelas informações de bastidores e gostoso pela leveza e dinâmica do texto.

O publicitário, porém, peca profundamente na sua visão geral sobre a realidade política da Paraíba, chegando ao cúmulo de afirmar – várias vezes – que, em 2002, fazia trinta anos que os paraibanos não vivenciavam uma eleição acirrada. Stalimir garante ter “transformado um costumeiro acerto de gabinete numa eleição de verdade, como há trinta anos o Estado não assistia”. Em outro ponto, falando de si, num arroubo grotesco de vaidade, vai além, e afirma que “todos queriam ver, conhecer, cumprimentar o marqueteiro que estava virando a história da Paraíba pelo avesso”.

Na verdade, ao contrário das informações absorvidas por Stalimir Vieira, aqui o incomum são as eleições pouco disputadas. Tendo chegado no estado em 2001, o publicitário deve ter se deixado levar pelo resultado da última eleição estadual, a de 1998, quando Maranhão massacrou Gilvan Freire – mas, aquele pleito fora decido nas prévias, numa verdadeira guerra entre Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão após a cisão do PMDB. Antes disso, todavia, a refrega de 1990, entre Ronaldo Cunha Lima e Wilson Braga, havia sido uma pedreira. E a disputa de 1994, entre Antônio Mariz e Lúcia Braga, foi uma batalha cheia de idas e vindas.

Aliás, das treze eleições para governador da Paraíba após o advento da Nova República, somente duas podem ser consideradas “molezas”: a de 1955, em que os principais grupos opositores lançaram um candidato de consenso, Flávio Ribeiro Coutinho, e a de 1998 – esta pelas razões já explicadas. Ou seja, não foi Stalimir quem ensinou a Paraíba a disputar eleição.

O mérito

Stalimir Vieira, junto com toda a equipe de marketing a serviço do PMDB naquele ano, inclusive o paraibano Lucas Sales, teve o mérito de dar vida a um candidato que chegou à campanha sem chance alguma de vitória, o então governador Roberto Paulino.

Ilógica

Por outro lado, um método estranhíssimo foi adotado pelo publicitário gaúcho. Ao encomendar as primeiras pesquisas de intenção de votos, Stalimir escolheu, para a amostragem, as cidades de João Pessoa e Patos; depois, João Pessoa e Monteiro; e, depois, João Pessoa e Guarabira. Ignorava completamente a força de Campina Grande.

3 comentários

Stalimir Vieira disse...

Agradeço a leitura de O Moído de 2002 e a critica muito benvinda.

Stalimir Vieira

George Gomes de Araújo disse...

''O Moído de 2002'' foi o melhor livro sobre bastidores de uma campanha eleitoral que li em minha vida, nunca vi tanta precisão numa análise de uma campanha, no livro percebemos a personalidade de cada candidato.Meus parabéns Stalimir Vieria.Quero comprar um exemplar , como farei?Meu e-mial é georgomes@gmail.com .

Grato : George Gomes- Historiador.

George Gomes de Araújo disse...

''O Moído de 2002'' foi o melhor livro sobre bastidores de uma campanha eleitoral que li em minha vida, nunca vi tanta precisão numa análise de uma campanha, no livro percebemos a personalidade de cada candidato.Meus parabéns Stalimir Vieria.Quero comprar um exemplar , como farei?Meu e-mial é georgomes@gmail.com .

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