INVESTIGAÇÃO NA CMCG

A Câmara Municipal de Campina Grande resolveu indicar uma comissão para apurar as graves denúncias que pesam sobre o vereador do PRP Alcides Cavalcanti, acusado de manter uma funcionária fantasma – Viviane Bulcão de Almeida, que não teria conhecimento do fato – em seu gabinete, embolsando os salários. O pedido de investigação partiu do próprio Alcides, que assegura não ter praticado qualquer ato irregular e afirma querer que o processo transcorra de forma transparente.

Para a missão de apurar as denúncias, foram designados os vereadores Cassiano Pascoal (PSL), Pimentel Filho (PMDB) e Rodolfo Rodrigues (PR), que são, respectivamente, presidente, secretário e membro da Comissão de Assuntos do Servidor Público, Defesa do Consumidor, Direitos Humanos da Infância, da Juventude e Segurança Pública. A Câmara Municipal, como se sabe, não tem uma comissão de ética nem corregedoria, setores aos quais deveria caber a investigação de denúncias envolvendo vereadores.

Um detalhe significante nessa história é que os três parlamentares que comandarão a apuração interna são da bancada de situação, da qual também faz parte Alcides, o denunciado. Não é, evidentemente, o caso de se por em dúvida a idoneidade pessoal ou funcional de Cassiano, Pimentel ou Rodolfo, mas é o óbvio mais óbvio que o fato de serem todos da mesma bancada naturalmente compromete, perante a sociedade e a opinião pública, a credibilidade do trabalho que será desenvolvido. E compromete muito, compromete totalmente.

Se o legislativo campinense tem a intenção de preservar sua imagem e dar alguma credibilidade à apuração, o mais elementar é que fosse formada uma comissão mista, com vereadores das duas bancadas. Seria o melhor para a Câmara Municipal, para a comissão e para o próprio Alcides Cavalcanti. Afinal de contas, se nosso legislativo mirim tem o interesse de dar respostas à sociedade, precisa começar a fazê-lo sem o uso de meios termos. A emenda fica pior do que o soneto.

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