GUERRA ENTRE CÁSSIO E CÍCERO


Alguém disse outro dia – quem, não lembro, mas foi um tucano – acreditar que o senador Cícero Lucena, presidente do PSDB paraibano, e o ex-governador e provável quase senador Cássio Cunha Lima podem chegar a um consenso em relação a uma velha nova novela que volta à cena, a presidência do partido, com um acordo respaldado na suposta “amizade vintenária” dos dois. De fato, Cássio, mais que Cícero, sempre referiu-se a essa amizade como forte o suficiente para prevalecer sobre as divergências mais sérias.

Cícero Lucena, por outro lado, no magoado discurso que pronunciou há um ano, na tribuna do Senado, quando finalmente desistiu de concorrer ao Governo do Estado, foi enfático no tocante a essa relação: “Por que cultivar valores tão descartáveis nestes tempos modernos? Estão certos eles, os profissionais. Nos ensinam que o sábio é compreender: amigos, amigos, política à parte. Teria cometido erro ao confiar na sinceridade de propósito de alguns amigos e correligionários?”, ponderou, irônico.

Naquele momento, a briga era pelo destino do PSDB: apoiar Ricardo Coutinho ou José Maranhão? Foram tantas as reuniões, os encontros com risos posados e, no fim, o partido, com o amém do presidente nacional, o deputado federal pernambucano Sérgio Guerra, resolveu não resolver: seguisse cada tucano para onde apontasse o próprio bico. Só que a eleição passou, Ricardo venceu, os tucanos maranhistas agora andam com girassol sobre as penas e Cícero vai ficando isolado.

Não dá para seguir em cima do muro o tempo todo. Guerra, que mais uma vez se vê entre Cássio e Cícero, na reunião de ontem, em Brasília, teve o apoio do senador mineiro Aécio Neves. Como nos encontros do recente outrora, a decisão a que chegaram foi pelo agendamento de uma nova reunião. Após muitas outras, Cícero deve perder a presidência, o que, para ele, tende a ser um golpe fatal, porque o senador revela pouca força para disputar a prefeitura da Capital e mesmo para tentar a reeleição em 2014. Estará pior com ou sem os amigos?

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