A CÂMARA CONTRA A IMPRENSA

A Câmara Municipal de Campina Grande resolveu dar uma resposta às frequentes críticas da imprensa à sua atuação – críticas ecoadas, inclusive, por alguns dos próprios vereadores. Essa resposta, no entanto, não foi uma mudança na postura parlamentar, não foi a implantação de um controle severo do ponto, não foi o corte no salário dos faltosos, não foi o fim da desatenção, não foi a divulgação clara e pública do desempenho dos vereadores... Enfim, não foi o que a sociedade espera.

A resposta veio num gesto de retaliação à imprensa, doravante impedida de ter acesso ao plenário da Casa, com a frágil justificativa de pretender impedir o barulho naquela área durante os trabalhos. O legislativo municipal tem o poder de estabelecer as regras que quiser e, inicialmente, um desavisado pode dar como acertada a norma recente. No entanto, sua motivação é suspeita e sua justificativa é insólita, até porque era possível ordenar o trabalho da imprensa sem recorrer ao expediente adotado – persecutório.

Atencioso, o presidente Nelson Gomes Filho negou que haja retaliação. “De jeito nenhum! Respeito demais a imprensa, que é parceira da Câmara. A decisão não foi da mesa diretora, mas dos 16 vereadores”, disse. Mas, Segundo servidores da Câmara, o vereador Pimentel Filho teria, inclusive, determinado que a porta de acesso ao plenário fosse mantida fechada, como se jornalistas e radialistas fossem incapazes de observar regras. O legislativo é um poder e deve ser respeitado.

Mas, pela mesma premissa, deve se comportar como um poder, o poder de representar o povo, e dar-se ao respeito, fazendo com que seus membros cumpram o que deles o povo espera, ao invés de se comportarem (conforme fazem alguns) como meros detentores de um passaporte de privilégios com validade de 04 anos. Ademais, não será erguendo barreiras, fechando portas e isolando em um recanto a imprensa que será imposto o silêncio. Pelo contrário: doravante, aguçaremos nossos olhos e nossos ouvidos, e altearemos nossa voz.

Publicado no Diário da Borborema de hoje

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