OPINIÃO: ESTAMOS QUEBRADOS?

Após um longo período de silêncio, o ex-governador José Maranhão (PMDB) resolveu falar, concedendo entrevista coletiva em João Pessoa na última segunda-feira, com o fito principal de rebater as declarações do atual governo de que ele teria deixado a Paraíba financeiramente quebrada. De posse do Balanço Geral do Estado, Maranhão desafiou Ricardo Coutinho a provar que ele tenha repassado ao socialista uma Paraíba atolada em dívidas e sem caixa para saudá-las.

O peemedebista ainda procurou justificar as principais contas que deixaram de ser pagas, e negou-se a avaliar os primeiros dias do novo governo, com a ponderação de que esse julgamento caberá ao povo. Horas depois, os secretários estaduais Luzemar Martins (Controladoria Geral do Estado) e Aracilba Rocha (Finanças) também concederam entrevista, em que rebateram as declarações de José Maranhão, reafirmando, em linhas gerais, que o ex-governador deixou para o estado como herança um tremendo rombo nas suas já depauperadas finanças.

De acordo com Luzemar e Aracilba, a dívida do estado no último dia do governo Maranhão superava os R$ 617 milhões disponíveis no caixa, deixando um déficit de cerca de R$ 124 milhões. Eles ainda lembraram o crítico comprometimento da folha, extrapolando os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, e disseram que a dívida final deixada por Maranhão foi de cerca de R$ 1 bilhão.

Diante da controvérsia, ao cidadão comum, desconhecedor das intrincadas contas públicas, resta a dúvida: a Paraíba está quebrada? Apesar de negar a paternidade da crise, o ex-governador não explicou por que a UEPB deixou de receber seu duodécimo em dezembro, e por que, em sua última semana no Palácio da Redenção, houve escassez de alimentos nos presídios e falta dos insumos mais básicos nos hospitais. Ao novo governo, que ainda não chegou aos 100 dias, cabe a missão de restabelecer a ordem econômica e levar a Paraíba a um processo de desenvolvimento que nos tire do atraso. É o que mais interessa aos paraibanos.

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