OPINIÃO: CAVALO DE BATALHA


A política paraibana vive mais de factóides que de fatos substanciais e relevantes. Há uma miríade de “meio-campistas” partidários atuando nos mais diversos segmentos, sobretudo na mídia e nas redes sociais, a fim de propalar avidamente versões, hipóteses e opiniões acerbas, via de regra de maneira exagerada e distorcidamente.

O objetivo, claro, é criar sensações, motivar tendências, desfocar realidades, com a finalidade de promover a exploração eleitoreira até das ocorrências mais irrelevantes. Esse esquema todo, que poderia pelo menos ser restrito ao período de campanha eleitoral, dura o ano todo, todos os anos. Talvez porque vivamos sempre em campanha.

Isso acontece porque a maioria absoluta dos nossos agentes políticos é míope, profundamente míope, incapaz de enxergar longe e de longe. E falta-lhes o uso das tão eficazes lentes corretivas da democracia, do republicanismo, da percepção de seu papel histórico. Brigando por coisas pequenas, acabamos nos apequenando.

Na semana passada, uma declaração inapropriada do secretário de Cultura do Estado, Chico César, serviu de mote para uma novela, uma polêmica que recebeu atenção extravagante e foi tratada com a gravidade de um tema de vida ou morte. A fala do secretário sobre o tal “forró de plástico” soou como se ele procurasse se apresentar como o legítimo diapasão da qualidade musical e detentor dos intocáveis cânones culturais. E não o é.

Porém, uma ocorrência que poderia estimular um debate sério sobre a formatação dos nossos eventos culturais e o papel do poder público na sua realização, descambou para uma onda de ataques e despertou ardorosos defensores da democracia cultural, agindo como que em uma cruzada contra a tirania.

Perde-se a oportunidade do debate sensato pela paixão incontrolável que a tudo distorce. Como mostramos no último sábado, a regra de financiar eventos dando preferência à tradição cultural está em lei de 2009, no governo Maranhão. E àquela época não se falou em ditadura cultural.

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