A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

Ao contrário da imagem construída e difundida nos últimos meses, o ex-governador Cássio Cunha Lima nem de longe é uma vítima massacrada pela justiça – ou pela injustiça. Num país em que competentes mas sobrecarregados defensores públicos dão conta de milhares de processos, deixando a massa alijada de um mais ágil (e, portanto, eficiente) acesso à justiça, não se pode vitimizar quem tem ao seu dispor os mais renomados juristas, hábeis em acionar todos os recursos disponíveis e explorar todas as inúmeras brechas legais, a despeito dos resultados adversos.

Resultados que não podem ser interpretados como uma intervenção persecutória do poder judiciário ao ex-governador, sob pena de lançarmos a já pouco acreditada justiça brasileira na vala comum dos instrumentos partidários que, como forças ocultas, parecem dominar todos os segmentos do país. Feita de homens, a justiça muitas vezes não é justa. Porém, essa imagem vitimizadora, difundida sobretudo por aliados de Cássio, é um sofisma.

Por outro lado, a confusão estabelecida após a aprovação, às vésperas do pleito do ano passado, da chamada lei da Ficha Limpa, criou uma realidade absurda em que (como se repetiu com outros tantos no país) o tucano se viu envolvido. E o pior, levando consigo mais de um milhão de paraibanos. Cá estamos já na segunda quinzena de março, e a eleição de 03 de outubro ainda não foi definida.

Independente das minúcias jurídicas, é fato que o candidato a senador mais votado na Paraíba teve os votos congelados e não tomou posse, como se a pena a ele imposta abrangesse também os eleitores que sufragaram seu nome nas urnas. Se todos os outros pontos controversos da Ficha Limpa forem postos de lado, este fato, o congelamento e eventual anulação da legítima manifestação de mais de um milhão de eleitores, configura verdadeira afronta aos princípios basilares do processo democrático. A César o que é de César. Logo, a Cássio o que é de Cássio, e ao eleitor o que é do eleitor – a soberania do voto.

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