ARTIGO: A VOLTA DE CÁSSIO


No mês passado, o ex-senador Cássio Cunha Lima completou dois anos fora do poder. Defenestrado do Palácio da Redenção pela justiça, viveu momentos inéditos em sua carreira, vendo-se até ameaçado pela Ficha Limpa com a possibilidade de uma longa quarentena.

Nesse meio tempo, descobriu que sem a caneta do governo os amigos não eram tantos, viu-se desafiado por um Cícero Lucena até então aparentemente submisso, não conseguiu disfarçar publicamente seus transtornos, aliou-se a Ricardo Coutinho como a única possibilidade de derrotar José Maranhão, conseguiu derrubá-lo e, por fim, passou a adotar um discurso conciliatório em relação aos adversários.

Em outubro, a volta por cima transformou-se em novo drama, ante a iminência de, mesmo sendo o senador mais votado da Paraíba, ficar impedido de cumprir o mandato. As palavras do ministro Luiz Fux, todavia, como que mágicas, parecem ter encerrado o período do choro de tristeza. Ontem, Cássio entrou em Campina triunfante.

Campina Grande, aliás, foi um ungüento milagroso para todas as feridas do ex-governador, assim como já fora, tantas e tantas vezes, para seu pai, Ronaldo. Ontem, a cidade o carregou nos braços, radiante, no frêmito alucinante da vitória, como em outras ocasiões. Mas também o acolheu em braços firmes e no regaço materno quando os espinhos tornavam impossível o caminhar. Cássio deve tudo o que construiu em sua trajetória política a Campina Grande.

Aqui, ainda tido e havido como menino, foi alçado a postos elevados. Aqui teve sempre seu lugar forte nas horas atribuladas. Agora, quando efetivado o assento na tantas vezes obscura Alta Câmara do Congresso, que possa retribuir à altura o suporte e o afeto desta terra.

Que assome ao plenário de tapetes azuis do Senado da República com uma sensação determinante de que, mais que um líder partidário, mais que um chefe político, mais que o ídolo de alguns, é um campinense e, como tal, lá estará a serviço do seu torrão e de toda a sua gente.

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