A POLÍCIA MILITAR CONTRA A IMPRENSA

O ambiente criado sobre a controversa “PEC 300 paraibana” tem ares de um barril de pólvora, prestes a estourar, sobretudo dentro da Polícia Militar, onde a ansiedade por um vultoso aumento salarial incorporou-se a uma miríade de mágoas antigas (e legítimas), que tem despertado em parte da corporação, ainda minoritária, o fermento da revolta que agora ameaça explodir. Daí para o registro de excessos, é um pulo. É o que se vê na reação descabida de alguns policiais contra qualquer discurso contrário à “PEC”.

Um exemplo disso está na postura que muitos PM’s passaram a adotar contra a imprensa. Valendo-se de uma infeliz norma baixada pela Secretaria de Segurança, que restringe o acesso dos jornalistas a informações sobre crimes e prisões, muitos policiais, irritados com o suposto posicionamento contrário de parte da imprensa à “PEC”, resolveram ir à forra. Em artigo publicado no portal “Paraíba em QAP”, que é voltado para policiais, a retaliação de PM’s aos jornalistas é admitida.

“Na hora de pedir informações das desgraças dos outros, a imprensa sabe nos procurar. Mas quando falam sobre nosso aumento salarial, que é justo e já foi aprovado em lei, os repórteres fazem vistas grossas e até nos criticam”, teria declarado um militar ao portal. Comentando o texto, outro suposto soldado conclama: “Vamos botar pra quebrar e sempre boicotar e dificultar o trabalho da imprensa”.

Enquanto esse comportamento se limitar ao boicote de informações, menos mau. Mas, a postura exacerbada de alguns núcleos da PM deve ser combatida, antes que avance para outros extremos. Esse exagero é danoso, inclusive, à luta dos policiais, que acabam lançados contra a opinião pública por conta do extremismo de alguns. Ademais, a sociedade e o poder público não podem tolerar que, sob a bandeira de lutas legítimas, um segmento – qualquer que seja – se atribua a prerrogativa de subverter o direito dos demais, inclusive intimidando aqueles que exercem sua plena e intocável liberdade de expressão.

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