OPINIÃO: OS DONOS DO PEDAÇO

Em muitas cidades da Paraíba, presidentes de câmaras municipais agem como verdadeiros coronéis. Mandam e desmandam, com a certeza de que estão acima das leis. Um exemplo dessa realidade pôde ser visto na sexta-feira passada, durante a volta aos trabalhos do parlamento mirim do pequeno município de Várzea, no Vale do Sabugi, quando a presidente da casa, a vereadora Mailde Verônica (DEM), aos berros ordenou que um jovem que filmava a sessão desligasse a câmera, sob a absurda ameaça de que, do contrário, a polícia seria acionada.

Jefte Morais, dono de um modesto blog na internet, gravava a reunião quando, do microfone, Mailde convocou um homem identificado por ela mesma como “Tico”, que seria seu filho, e este, por sua vez, com gestos abruptos, chamou Jefte a uma sala anexa. Desconfiado, o rapaz se recusou a atender o chamado e a presidente do legislativo não se conteve: “É proibido isso aí. É proibido. Pode retirar. Se você não desligar, vou chamar a polícia”, gritou Mailde.

Se o jovem blogueiro é jornalista ou não, ou que intenção tinha ao filmar a sessão, isso não importa. Interessa é que a presidente, num gesto arbitrário, que de tão absurdo é quase inacreditável, atentou contra os princípios basilares da democracia e do Estado de Direito. Impressiona ainda que os demais vereadores, mesmo presenciando a cena absurda, permaneceram indiferentes, embora, depois, adversários de Mailde tenham condenado sua atitude.

Há outro detalhe. Segundo os parlamentares Windson Amaral e Júnior Medeiros, o filho da presidente, Tico, cujo nome seria Francisco Lindeildo, é escrivão da Polícia Civil, mas manda e desmanda (dizem) na Câmara. Após a ameaça de Mailde de chamar a polícia (ou seja, chamar o filho), Tico teria se aproximado de Jefte Morais, que já estava com a câmera desligada, e ameaçou registrar contra o rapaz um Boletim de Ocorrência. Qual seria o teor desse BO? Afinal, quem tem algo a responder, por violar direitos inalienáveis, é vereadora e seu filho.

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