OPINIÃO: A MANOBRA DO PMDB

Há alguns meses, ninguém apostaria sequer que o peemedebista Wilson Santiago fosse mesmo ser candidato a senador, quanto mais que ele seria um dos dois “eleitos”. Pois bem. Isso não apenas aconteceu, como Santiago ainda conseguiu eleger o filho em seu lugar para a Câmara Federal e, além de tomar posse no Senado, foi escolhido para segundo vice-presidente da Casa. Não seria exagero nenhum dizer que o homem da pequena Uinaúna está em alta. Mas, a felicidade do senador não é completa, já que, tendo sido o terceiro colocado numa disputa de duas vagas, ele foi “eleito” – mas assim, entre aspas.

Caberá ao Supremo Tribunal Federal, ao julgar (sabe-se lá quando) o registro do ex-governador Cássio Cunha Lima, que obteve a maior votação na eleição para o Senado, definir de vez o destino de Santiago. Se Luiz Fux, indicado pela presidenta Dilma Rousseff para a vaga em aberto desde a aposentadoria de Erus Graus, for aprovado pelo Senado, o desfecho dessa novela deverá estar perto do fim.

O ex-governador Cássio, diante daquilo que ele mesmo frequentemente tem classificado como “Calvário”, não esconde a ansiedade por uma decisão, seja ela qual for, e tenta manter a esperança. Por outro lado, o PMDB nacional não parece disposto a perder um senador. Aí reside a explicação para o fato de Santiago, embora debutante na Câmara Alta da República, ter sido indicado pelo partido para a composição da mesa diretora.

Fica evidente que o PMDB acredita no efeito político sobre a decisão dos ministros do Supremo no tocante ao caso Cássio. Sendo o partido o mais importante da base aliada da presidenta Dilma, comandando o Senado através de José Sarney, enquanto, por outro lado, Cássio é um tucano, logo membro da principal legenda de oposição, a tese parece óbvia: crêem os peemedebistas que, como Luiz Fux é indicação de Dilma, sua subjetividade na hora do voto poderá ser, de alguma forma, influenciada. Se isso é verdade, já é uma outra história. Mas, que dá pano para manga, dá.

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