OPINIÃO: ZÉ LUIZ E O PSC

Quando, após uma frenética migração partidária, o deputado federal em fim de mandato Marcondes Gadelha chegou ao PSC, em outubro de 2009, foi recebido com honras e afagos pelo então presidente estadual da legenda, o vice-prefeito de Campina Grande, José Luiz Júnior. Gadelha ingressou no PSC como alto reforço aos seus quadros, com o status de Congressista e o acerto de assumir a presidência da legenda. À época, o deputado reconheceu que o comando deveria estabelecer um período de calmaria em suas andanças partidárias, já que ele seria o timoneiro dos rumos e das alianças do PSC paraibano.

Como de praxe, assumiu a presidência prometendo fortalecer o partido e assegurando o respeito às divergências internas de opinião. Mas, a lua de mel não durou mais que alguns dias e, já no fim de março de 2010 rebentou uma crise pública quando Marcondes, numa manobra, impediu a ida de Zé Luiz para a secretaria de Infraestrutura do estado, destinando o cargo ao irmão, Renato Gadelha.

Além de um ataque frontal ao vice-prefeito campinense, o presidente do PSC agiu contra a própria legenda, ao entregar o cargo ao irmão petista. Ou seja, enquanto todos os comandos partidários lutam para garantir mais espaços nos governos, Marcondes Gadelha tirou o cargo das mãos do PSC para entregar ao PT, colocando a família acima do partido – e ninguém reclamou. Exceto, claro, o próprio Zé Luiz, que esbravejou, chegando a classificar a manobra como “uma cachorrada”.

Agora, menos de um ano depois, sendo pública e notória a intenção do vice-prefeito campinense de disputar a prefeitura em 2012, numa declaração extemporânea o presidente Marcondes Gadelha anuncia o deputado estadual Guilherme Almeida como candidato, ignorando explicitamente o intento de Zé, a quem parece não restar outro rumo que não seja sair do PSC. Um partido que ele ajudou a estruturar em Campina e em todo o estado, e onde, agora, parece nem ao menos ser tido como digno de qualquer consideração.

Possibilidade

José Luiz Júnior (foto) parece estar disposto a deixar o PSC para ser candidato a prefeito no ano que vem. Ele não demonstra contrariedade ao projeto de Guilherme Almeida. O que não aceita é a imposição do nome do deputado pela cúpula do partido.

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