OPINIÃO: UMA BOMBA CHIANDO

Publicada no Diário Oficial de 31 de outubro passado, dia do segundo turno da eleição, a chamada “PEC 300 paraibana”, que, segundo o atual governador Ricardo Coutinho e seus alidos, foi uma arma eleitoreira do ex-governador José Maranhão, estaria fadada a ser o estopim de uma controvérsia cujos efeitos sobre a Paraíba ainda estão longe de terem sido efetivamente percebidos. Entre os policiais civis, há um racha, que deve amenizar o impacto produzido pela categoria.

Membros da Associação dos Policiais Civis (Aspol), entidade responsável pelas últimas greves no Estado, digladiam e trocam acusações. O presidente da Aspol, Flávio Moreira, que disputou as eleições para a Câmara Federal pelo PSB, nomeado pelo governador para a diretoria administrativa do Detran, é apontado por alguns como traidor da categoria, mas nega. Todavia, se a posição da Polícia Civil se mostra enfraquecida, o mesmo não se pode dizer em relação à Polícia Militar, onde o ambiente é pesado e mesmo ameaçador.

Policiais militares de todas as patentes falam em greve, ameaçam motim. Corre à boca miúda nos quartéis que, se a majoração do soldo dos PM’s conforme previsto na chamada “PEC paraibana” não for confirmada – ou seja, paga – pelo novo governo, vai haver paralisação. Se isso acontecer, será o caos. O sentimento é fortalecido pela posição inarredável do ainda deputado federal Major Fábio, do DEM, que nos últimos dias têm feito duras críticas a Ricardo Coutinho que, segundo Fábio, teria enganado os policiais, dizendo que pagaria a “PEC 300”.

Na verdade, provocado durante o segundo turno, o socialista garantiu que pagaria “aquilo que fosse legal”. A chave do problema está aí. O atual governo parece ter certeza da ilegalidade da lei aprovada às pressas na véspera (e sancionada no dia) do segundo turno. Ou seja, de um lado temos a PM ameaçando parar, rebelar-se contra o comando estadual e, do outro, um governo que dá indícios de que não cederá. O clima é tenso e o confronto parece inevitável.

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