OPINIÃO: O PT E SUAS REUNIÕES

Nos últimos dez dias, quantas reuniões os petistas paraibanos promoveram ou anunciaram que promoveriam? Se alguém tem o número certo, avise-nos. Que a turma da estrela vermelha gosta de uma reunião, não é novidade – já o dissemos outras vezes. O próprio ex-presidente Lula tinha como praxe, para qualquer problema, propor não apenas uma reunião, mas uma série delas. Petista adora mesmo é discordar, sobretudo de outro petista.

Já foi dito outrora que, em relação aos muitos encontros do partido, até o ditado se desfigura: “Conversando é que não se entende”. Não é implicância, é espanto. Hoje, em linhas gerais, há na Paraíba o PT do deputado federal Luiz Couto, ex-presidente do partido, e o PT do atual presidente, Rodrigo Soares, deputado estadual até a próxima terça-feira. Logo, há um comando duplo. E, como não há comando onde dois antagonistas mandam, acaba o PT estadual sendo uma legenda anárquica, caminhando cada um para seu lado e unindo-se apenas na queima de incenso a Lula e sua sucessora.

Há, com certeza, a falta de uma liderança forte dentro do PT estadual, cuja tão aclamada democracia interna não passa de um ideal ainda inatingível. Luiz Couto deveria ser essa figura, mas está longe disso. O deputado tem seus admiradores, sua plataforma, seus méritos, entretanto também está distante de ter força de comando. Aliás, embora petista, padre, de discurso esquerdista, Couto, com sua militância humanista mas de um humanismo segmentado, não tem uma penetração popular mais aprofundada.

Assim, sem comando de fato, essa semana o PT coutista anunciou uma reunião, o PT rodriguista, também, e ambas nada resolveram, devendo levar a outras nos próximos dias. Cada grupo segue defendendo suas teses, numa confusão que beira o patético. Mesmo assim, há quem julgue ser essa desordem uma expressão democrática. Não o é, porque a democracia se baseia não apenas no dissenso, como no respeito às decisões da maioria. E, no PT paraibano, não se parece respeitar decisão alguma.

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