OPINIÃO: O LEGISLATIVO EM BAIXA

Em todas as suas esferas, o poder legislativo no Brasil sempre foi, no tocante ao aspecto qualidade, no máximo sofrível. A cobrança sobre nossos legisladores é pequena e frouxa, bem menor do que a pressão exercida sobre membros do poder executivo. Isso acontece porque as pessoas, que em geral já não têm critérios rígidos para o voto em prefeitos, governadores e presidente, não dão importância à escolha de vereadores, deputados e senadores.

Vota-se por qualquer razão e sem razão. Resultado: o legislativo brasileiro, das câmaras municipais ao Senado, custa caro, trabalha pouco, rende pouco, e tem uma produção insignificante de ações que sejam verdadeiramente relevantes e eficazes para melhorar a vida do povo. E ainda é profundamente comprometido com conveniências pessoais e de grupos dominantes. Ademais, os privilégios são muitos e beiram o absurdo. Normas abrangentes demais, como a imunidade parlamentar, abrem precedentes escandalosos e, não raro, atraem indivíduos mal intencionados.

E isso não é de hoje. Em 1962, o então deputado estadual Raymundo Asfóra disse que os executores do líder camponês João Pedro Teixeira, morto numa emboscada a mando de usineiros, escondiam-se no mato, enquanto o mandante escondia-se na Assembleia Legislativa. Quantos criminosos não foram se homiziar nas assembleias estaduais e no Congresso? Agora, a Ficha Limpa tenta impedir o ingresso dessa gente.

Todavia, como fazer para qualificar o parlamento, exigir mais trabalho? Esses critérios deveriam ser estabelecidos pelos eleitores. Porém, o eleitor pouco se importa e, assim, cria-se um círculo vicioso infame. Trazendo o tema para nossa realidade, a Câmara campinense nunca teve um nível tão baixo, a legislatura que termina amanhã na Assembleia é fraquíssima e será substituída por uma muito pior, o Senado promete pouco e nossa representação na Câmara Federal vai trocar alguns decanos de pouca influência por jovens sobrenomes poderosos que devem figurar no baixo clero.

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