OPINIÃO: O ESTADO-CABIDE

A prática de empregar apadrinhados deve ser mais velha que o próprio conceito de Estado. Talvez por isso desconheça o conceito de república, aquilo que é público, que pertence à totalidade, e não apenas a alguns bem aventurados. Sendo assim, o costume de usar a máquina para empregar indicados, oferecer cotas de vagas a aliados e trocar voto por emprego tornou-se um exercício quase natural, ignorando o preceito constitucional do concurso público como regra para acesso ao serviço público.

E é assim que chegamos ao ponto de termos quase quarenta mil não concursados na folha de servidores do Estado. Uma excrescência pela qual o governo Maranhão III pode ser o principal responsável, tendo em vista as vultosas listas de contratações a rechear o Diário Oficial durante sua gestão, mas evidentemente os governos anteriores também seguiram a mesma cartilha. Agora, quando anuncia-se o inevitável corte nestes números, gera-se um problema social que, por sua vez, atrai a exploração política.

Muito se tem falado, nos últimos dias, sobre os cerca de 18 mil pais e mães de família que ficarão sem emprego, ao serem demitidos do Estado. Um quadro triste, lamentável, mas que é parte de um remédio amargo e necessário. A coisa pública não pode favorecer a 18 ou 36 mil pais e mães de família que sobrevivem com o emprego público, quando a Paraíba tem 3,7 milhões de habitantes que, em sua maioria, sobrevivem, de um jeito ou de outro, sem uma matrícula estadual.

Os governos que empregaram estas pessoas são os verdadeiros responsáveis por sua instabilidade, porque instalaram estes milhares de homens e mulheres numa condição precária, à revelia das normas constitucionais, apenas interessados nos resultados políticos e eleitoreiros que logravam. Foi essa irresponsabilidade que transformou a máquina pública num Estado-cabide, requerendo agora medidas impopulares, ações drásticas, mas que, um dia ou outro, teriam de ser empregadas, afinal, aquilo que é público não pode ser de alguns.

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