OPINIÃO: MAJOR FÁBIO, HERÓI DA PM

O ainda deputado federal Major Fábio, do Democratas, é uma figura complexa. Após uma votação apenas singela em 2006, 4.061 sufrágios que mal dariam para garantir uma vaga na Câmara Municipal de João Pessoa ou Campina Grande, ficou na quarta suplência de sua coligação. Qual a chance de chegar, nessa condição, à Câmara Federal? Pouquíssimas. Mas o homem de fé Fábio Rodrigues viu o milagre acontecer.

O titular, Ronaldo Cunha Lima, renunciou ao mandato; o primeiro suplente, Walter Brito Neto, foi cassado por infidelidade partidária; e o segundo suplente, Tarcísio Marcelo, estava impedido. E foi assim que, em dezembro de 2008, o quarto suplente assumiu em definitivo o mandato. Desde então, a luta principal do deputado federal Major Fábio tem sido pela aprovação da PEC 300, que beneficia seus colegas de farda. Percorreu o Brasil com essa bandeira e, nas eleições de outubro passado, recebeu o reconhecimento de mais de 68 mil eleitores, o que lhe garantiu a primeira suplência da coligação.

Entre o primeiro e o segundo turnos do pleito, as posições firmes do democrata começaram a causar alvoroço. Embora aliado de Ricardo Coutinho, mostrou-se propenso a apoiar José Maranhão por causa da chamada “PEC 300 paraibana”, e desde então, mantém um uma postura inarredável em defesa da “PEC paraibana”. Mostra-se fiel aos seus princípios, quando não aceita negociar um cargo no primeiro escalão do governo do estado ou mesmo uma manobra para sua volta à Câmara Federal, tudo para não minar seu poder de defesa da “PEC” e não trair a confiança dos militares.

Por outro lado, no clima de animosidade provocado pela matéria que foi aprovada e sancionada pouco antes do segundo turno da eleição, a firmeza às vezes virulenta das suas declarações podem insuflar uma reação desequilibrada entre grupos mais radicais da PM. O Major deve tomar cuidado, para que sua legítima posição de herói da corporação não acabe ensejando uma descarga de revolta que leve a Paraíba a um pé de guerra.

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