OPINIÃO: A DURA VIDA NOS QUARTÉIS


Quando se fala na luta dos policiais militares por uma maior dignidade profissional, logo vem ao pensamento a chicana de campanha que ficou conhecida como “PEC 300 paraibana” e lançou nossos profissionais da segurança num ambiente de ansiedade e incerteza. Mas, a batalha da categoria em busca de respeito e dignidade vai muito além do problema da defasagem salarial.

Embrenhados numa luta tantas vezes desigual contra o crime, os policiais precisam conviver com uma estrutura deficiente e arcaica, equipamentos sucateados e quase imprestáveis (quem quiser ter uma boa arma, que junte três meses de salário e compre) e um treinamento precário, que beira o ridículo. A verdade é que não seria exagero nenhum dizer que esses homens e mulheres saem às ruas praticamente com a cara e a coragem. E, ainda por cima, precisam enfrentar e suportar a dura vida nos quartéis, uma realidade que poucos conhecem.

Segundo o cabo Gisinaldo Lopes, presidente da Associação dos Praças Unidos da PM e Bombeiros (Apraune), entidade em fase de formação, o século XXI ainda não amainou certas práticas arcaicas e absurdas no seio da corporação, exageros e atos de humilhação e autoritarismo tantas vezes cometidos por superiores, num uso distorcido e sórdido dos conceitos de hierarquia e disciplina. Conforme Gisinaldo, um dos pontos mais absurdos é a ausência do direito a habeas corpus em punição administrativa.

“O sujeito chega ao quartel com a barba mal feita ou a farda meio suja e, se quiser, se estiver de mau humor, seu superior pode mandá-lo para o xadrez por um ou dois dias, sem direito a recurso, nem mesmo o habeas corpus”, lamenta o cabo. E tem mais: em muitos batalhões, oficiais e praças comem em locais diferentes e comidas diferentes – advinha quem come melhor? Isso não é ordenamento hierárquico. É segregação, prática imoral. Além de lutar por melhores salários, nossos PM’s precisam reagir contra essas excrescências, afinal, não há dinheiro que pague um cotidiano de humilhações.

Exceção plausível

Segundo o cabo Gisinaldo Lopes, o novo comandante do 10° BPM, tenente-coronel José Ronaldo Diniz, aboliu a prática do rancho separado. “Conforme o comandante, quem não quiser fazer suas refeições entre os demais, coma em casa”, disse.

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