OPINIÃO: CALMA, SENHORAS

Antigamente se dizia que a mulher é delicada como uma flor. Mas, uma vez exercendo cargos e funções políticas, elas não são tão suaves e frágeis assim, pelo contrário, não raro são mais argutas e duras na queda que a maioria dos homens. A bem dizer, se a mulher é delicada como uma flor, em política elas não são flor que se cheire. Vejamos, por exemplo, a troca de farpas entre as secretárias de saúde de Campina Grande e João Pessoa. Tatiana Medeiros (PSL), no dia em que assumiu o comando da pasta, já mandou um recado para o governador Ricardo Coutinho.

“Vá cuidar do seu quintal”, disse, irritada porque Ricardo teria feito críticas à qualidade da atenção básica à saúde em Campina. Segundo Tatiana, João Pessoa tem cerca de 40 equipes do Programa de Saúde da Família sem médicos, o que seria resultado da gestão do socialista na prefeitura da Capital. Em contrapartida, ainda conforme a secretária, o prefeito Veneziano Vital ampliou para quase toda a cidade a cobertura do PSF.

O revide não demorou. Roseana Meira (PSB), que comanda a saúde pessoense, recomendou que Tatiana se inteirasse do quadro real em Campina Grande que, segundo a socialista, é calamitoso. Roseana disse que o problema da falta de médicos não ocorre só em João Pessoa que, segundo ela, conta com a melhor saúde do estado, embora reconheça que haja problemas a sanar, o que, para a secretária, não pode ser usado pela gestão municipal campinense como uma desculpa para encobrir os problemas da cidade.

Como se vê, as duas têm munição para trocar “gentilezas”, sem quebrar o salto nem borrar a maquiagem. E o danado é que, à parte os exageros, ambas têm razão quanto aos problemas das duas cidades. A saúde caótica parece ser uma mazela nacional, e tanto Campina quanto João Pessoa não estão imunes ao problema. Na verdade, enquanto centros de convergência de enfermos de todo o estado, os dois municípios padecem adversidades semelhantes. Calma, senhoras! Esse, sim, é um assunto delicado.

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