OPINIÃO: ADESÃO E TRAIÇÃO - O TÊNUE FIO


Na política, tudo é questão de ponto de vista. Quando alguém rompe com determinado grupo para aderir a outro, é considerado traidor, egoísta e tem seu caráter posto em dúvida pelos aliados que renega. Já pelo lado que o recebe, é considerado como alguém consciente, sensato e corajoso, com inúmeras qualidades a serem destacadas. Sempre foi assim, e é assim em todo canto. Porque, afinal, na política, tudo é questão de conveniência.

As eleições de outubro foram pródigas em exemplos do gênero. O então candidato oposicionista Ricardo Coutinho sentiu na pele o oportunismo dos políticos, e viu, na medida em que as pesquisas apontavam o crescimento de José Maranhão, a lista de seus aliados minguar, gradativamente, dia após dia. Mesmo nomes de seu partido viraram as costas à sua candidatura, e hoje figuram na lista dos infiéis do PSB, considerados ignominiosos traidores. É o caso dos prefeitos Léo Abreu, de Cajazeiras, e Deoclécio Moura, de Taperoá – apenas para citar dois exemplos.

Todos aqueles que deram as costas a Ricardo foram recebidos por Maranhão com pompas e elogios. Em nenhum momento os peemedebistas enxergaram nos desertores da candidatura do socialista traidores oportunistas e inescrupulosos. Do ponto de vista de Maranhão, importava que eram novos aliados. Para o PSB, entretanto, são infiéis e devem deixar o partido, como já deixou claro o vice-presidente da legenda, Edvaldo Rosas.

Por outro lado, durante a campanha do 2° turno do pleito, após as urnas derrubarem o mito da supremacia maranhista, o ex-governador assistiu à debandada de aliados para as hostes socialistas, caso – para citar apenas dois exemplos – da deputada estadual não reeleita Iraê Lucena e do deputado estadual Quinto, que tentou sem êxito uma vaga na Câmara Federal. Os dois peemedebistas viraram ricardistas e hoje são tratados como traidores pelo PMDB, mas, para os socialistas, são aliados dignos de todo o apreço, tanto que ambos ganharam espaço no governo Ricardo Coutinho.

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