OPINIÃO: UM PROBLEMA IGNORADO

A saúde pública em Campina Grande foi pauta nacional esta semana, após uma menininha de apenas 01 ano agonizar, engasgada com um caroço de feijão, durante cerca de duas horas no Hospital Regional e morrer por falta de anestesista.

O povo, embora já endurecido pela rotina cruel de descaso da saúde, ficou estarrecido ao saber que uma inocente criança morreu após padecer numa via crucis de sofrimento, indiferença e desumanidade. Ante a grande repercussão do fato, o Conselho Municipal de Saúde chegou a falar em organização criminosa envolvendo os anestesistas da cidade.

Os médicos responderam com uma paralisação, sob o argumento de recearem não receberem os vencimentos do mês, face ao fim do contrato de trabalho e à mudança no governo estadual. Foi preciso que o governador eleito, Ricardo Coutinho, viesse a Campina conversar com a categoria, garantindo que ninguém ficará no prejuízo.

O receio dos médicos é sensato, mas não tem o poder de justificar suas decisões. Ademais, sejam ou não verdadeiras as denúncias do CMS, o fato é que o corporativismo da categoria e a sensação de merecimento de um tratamento privilegiado são desafios aos poderes públicos.

A população reclama constantemente do mau atendimento recebido, médicos que faltam ao trabalho, que chegam e saem a hora que querem, que tratam pacientes com indiferença, frieza e – não raro – crueldade. As autoridades fingem não ouvir, porque temem o corporativismo médico. As exceções existem, mas são minoritárias.

É preciso ampliar o número de vagas nas universidades para formação de médicos, porque a relação profissional/alta demanda estimula a sensação de poder. É preciso responsabilizar, com rigor exemplar, profissionais que faltarem aos plantões ou deixarem, de forma contumaz, de cumprir os horários de expediente.

É preciso dar-lhes as devidas condições de trabalho e salários justos, mas é fundamental combater a sensação de existência de uma casta privilegiada e inatingível na saúde pública.

Xis da questão

O vereador Fernando Carvalho foi um dos primeiros detentores de mandato a colocar o dedo na ferida, chamando a atenção para a liberalidade com que muitas vezes profissionais médicos cumprem ou deixam de cumprir com suas funções.

Assunto ignorado

Vale relembrar trecho do discurso de Fernando Carvalho na Câmara Municipal, na terça. “Veja a carga horária de determinados plantonistas e verá as estupendas vezes que eles não compareçam ao expediente, alegando estar, em sua maioria, com enxaqueca ou gripe. E, ninguém, até este momento, tratou corretamente esse assunto”, declarou.

Corporativismo

O vereador Antônio Pereira também condenou a decisão dos médicos de cruzaram os braços. “O que justifica tal paralisação? A população já paga seus impostos pesados. Não há como pagarem com suas vidas os interesses corporativos de poucos”, disse.

Iniciativa

Antônio Pereira ainda explicou que, em conjunto com os também vereadores Laelson Patrício (PT do B), Metuselá Agra (PMDB) e Fernando Carvalho, pediu ao Ministério Público a adoção das medidas legais para o restabelecimento dos plantões dos médicos anestesiologistas (e demais especialistas) no Hospital Regional de Campina Grande.

Reunião

Ante o impasse, o governador eleito Ricardo Coutinho precisou intervir, reunindo-se com os médicos em Campina e garantindo-lhes o pagamento dos salários de dezembro.

Reclamações

Na conversa com Ricardo, os médicos apontaram alguns problemas dos nossos hospitais, sobretudo a superlotação, e se mostraram satisfeitos com a postura do socialista.

Corporativismo

Para o suplente de vereador João Dantas (PTN), o governador eleito tratará a questão com firmeza: “Ricardo mostra que não será marionete nas mãos de nenhuma corporação”.

Questão final

Diante da repercussão dos últimos problemas na saúde pública da Paraíba, o Governo do Estado mantém a decisão de inaugurar o Hospital de Traumas nos próximos dias?
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Publicado na nossa coluna, Diário Político, do Diário da Borborema deste domingo

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