OPINIÃO: TÉCNICO E POLÍTICO


Toda formação de secretariado traz a mesma discussão sobre quais critérios devem prevalecer na escolha dos nomes, se técnicos ou políticos. Agora, enquanto o governador eleito Ricardo Coutinho divulga gradualmente a composição do primeiro e segundo escalões do Estado, privilegiando a internet como ferramenta para essa divulgação, o debate sobre os critérios de seleção voltam à cena. Os primeiros nomes anunciados foram eminentemente técnicos.

Nas últimas listas, no entanto, nota-se a prevalência das indicações políticas, fato que parece ter incomodado quem esperava, muito ingenuamente, um secretariado de especialistas, o que é impossível. Há uma regra clara na política: quem ajuda a eleger, ajuda a governar. Isso tem que ser visto com profunda parcimônia, não deve implicar no loteamento esdrúxulo e sem critérios de cargos, como se vê, por exemplo, na formação do ministério do Governo Federal, mas é natural e até lógico que partidos aliados participem da composição do governo.

Em uma de suas coletivas para apresentação de secretários e adjuntos, Ricardo Coutinho falou sobre essa aparente dicotomia. “Não há nenhuma disputa entre político e técnico. Todos nós somos políticos, estamos aqui exatamente para desenvolver isso. E nós, enquanto políticos – deputados estaduais, federais, senadores – estamos para nos apropriar, no melhor dos sentidos, dos resultados da política defendida por nós durante um determinado processo. Não existe essa discussão de que o governo vai melhor porque vai do lado técnico, vai pior porque vai do lado político”, declarou.

Ele ainda pondera que, em meio aos critérios políticos, é levada em consideração a qualificação pessoal dos escolhidos e uma possível identificação do seu perfil com a função a desempenhar. “Dentre vários nomes importantes, com perfil qualificado, com referência política, nós escolhemos”, afirmou. No fim das contas, seja qual for o critério a prevalecer, o que se espera mesmo dos escolhidos é a realização de um bom trabalho.

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