OPINIÃO: PRODUÇÃO ANÓDINA

Dados divulgados pela organização Transparência Brasil revelam, em números, aquilo que quem costuma acompanhar o dia a dia das câmaras municipais, assembléias legislativas e do Congresso Nacional já percebeu faz tempo: grande parte da produção dos nossos parlamentares é de abobrinhas (foto).

Vereadores, deputados e senadores adoram batizar ruas, dar nomes a praças e rodovias, criar datas comemorativas, fazer homenagens a mortos, vivos e vivíssimos, conceder títulos e honrarias a torto e a direito. E ainda há aqueles que até contabilizam toda essa obra como prova tida como inequívoca de uma ativa e profícua atuação parlamentar. A tal produção de amenidades irrelevantes é tamanha que, em Campina Grande, outro dia a Câmara de Vereadores chegou ao cúmulo de aprovar a criação de uma lei estabelecendo uma data comemorativa que já existia no calendário municipal. O “pequeno erro” só foi percebido quando o projeto foi vetado pelo prefeito Veneziano Vital do Rêgo.

Tudo bem que essa é uma tradição nacional, mas o fato é que, no quesito projeto abobrinha, os legisladores paraibanos estão entre os campeões, o que vem a ser, simplesmente, mais uma clara evidência do baixo nível de nossa representação na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e no Senado – nas câmaras municipais, nem se fale! No primeiro semestre deste ano, a Transparência Brasil apresentou um balanço denominado “Perfil da produção das casas legislativas brasileiras” e nossos deputados apareceram entre os que mais produzem matérias classificadas como de baixo ou nenhum impacto.

O pior é que a enxurrada de matérias anódinas não implica apenas num grande exercício de futilidades. Toda essa produção de utilidade duvidosa ocupa tempo e espaço no processo legislativo, já demasiadamente lento e ineficaz. Atrapalha o andamento mais ágil de temas relevantes, e ainda por cima custa ao contribuinte. Ou seja, pagamos cada vez mais caro por parlamentares que trabalham cada vez pior.

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Publicado no Diário da Borborema desta sexta-feira

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