OPINIÃO: A POLÍCIA MILITAR NAS ELEIÇÕES

O comandante do II Batalhão de Polícia Militar, tenente coronel Marcos Alexandre de Oliveira Sobreira, negou ontem que a força estadual tenha trabalhado para favorecer a candidatura do governador José Maranhão no pleito de outubro.

“A PM procurou trabalhar de forma imparcial, porque entendemos que vivemos em um País democrático. Cada um tem suas convicções e entendimentos. Diante desse princípio, entendo que o cidadão tem suas convicções políticas e partidárias, e não vai ser a polícia que vai fazer com que isso mude. A missão precípua da polícia é garantir a preservação da ordem pública, garantir os direitos individuais e coletivos das pessoas”, disse.

O comandante, no entanto, não descarta a possibilidade da ocorrência do que chamou de desvios de conduta dentro da corporação. “Sem dúvida pode ter havido desvio de conduta. Agora, isso não é a orientação, a recomendação sequer do comandante geral da corporação. A recomendação é trabalhar de forma isenta, de forma imparcial, buscar isso de forma incessante. Se há desvios, eu digo a você que pode ter havido. Sem nenhum medo de estar falando coisa errada: pode ter havido. Assim como há outros desvios que a gente tem apurado. Mas a orientação nossa – e tenho certeza que foi assim com o comandante anterior – foi agir de forma isenta”, assegura Sobreira.

Não é a primeira vez que a PM é acusada de uma conduta política durante uma eleição. Em 2008, quando era governador Cássio Cunha Lima, o prefeito e então candidato à reeleição Veneziano Vital reclamava da postura da polícia e seu guia eleitoral mostrava pessoas afirmando terem sido agredidas por policiais durante eventos de campanha.

A própria nomeação do comandante Sobreira, no transcurso do segundo turno, gerou críticas. Mas, como em 2008, denúncias e acusações parecem se perder no ar entre uma eleição e outra, como se não importasse mais a eventual politização da PM, como se as repetidas denúncias não fossem danosas à imagem da corporação.

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