OPINIÃO: LIÇÃO PARA TIRIRICA

O natal se aproxima, e os congressistas brasileiros já trataram de garantir um peru mais gordo para a ceia de 24 de dezembro em suas belas casas. Sem esperar por Papai Noel, usaram o dispositivo constitucional que garante o direito de receberem igual ao que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal (teto do funcionalismo público) e verão seus contracheques saltando dos R$ 16.5 mil para os R$ 26.723 mil.

E tudo isso foi aprovado num abrir e fechar de olhos, sem grandes controvérsias, o que por si já é surpreendente num congresso que gaba-se de ser o palco do dissenso. Enquanto isso, discutem um aumento miserável de R$ 30 ou R$ 40 para o trabalhador que hoje ganha vergonhosos R$ 510 de salário mínimo. Um aumento que não dá nem para comprar o peru do natal. Mas, parece que no entender de nossos deputados e senadores, o trabalhador brasileiro não precisa comer peru – afinal, vive de engolir sapos. Discutem um aumento medíocre porque – dizem – o mínimo pode quebrar o Brasil.

Ocorre que a majoração do ganho dos nossos parlamentares cria um grande efeito dominó. A Confederação Nacional dos Municípios calcula que o custo será da ordem de R$ 1,8 bilhão para as cidades a partir de 2013, quando a nova legislatura das câmaras de vereadores deve assumir com seus salários reajustados. Para os estados, o prejuízo é imediato, já que as assembleias legislativas mostram-se ávidas para implantar o aumento.

Se a Assembleia da Paraíba aderir, nossos deputados estaduais vão passar a ganhar R$ 20 mil, e o menor salário de um vereador no Estado poderá ser de R$ 4 mil, em cidades com menos de 10 mil habitantes. O contraste entre o tratamento dispensado ao povo por aqueles que esse povo elegeu, e o tratamento que dispensam aos seus próprios ventres é revelador. O palhaço e deputado eleito Tiririca foi visitar a Câmara justamente no dia desta farra. De certo, saiu de lá com a resposta para seu enigma de campanha – o que faz um deputado? E a resposta é: legisla em causa própria.

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