OPINIÃO: ESSE É O PT

Já dissemos nesta coluna que o PT é um partido tão combativo que, quando não há contra quem combater, os petistas combatem entre si. Já dissemos também que, em se tratando do PT, nada é simples, quase tudo acaba em confusão – acaba sem acabar.

Por estas e outras facetas é que o partido só não desonera nacionalmente porque ainda gravita em torno de sua principal estrela, o presidente Lula. Não fosse por isso, não fosse pela centralização em torno da popularidade avassaladora de Lula, e o PT se acabava numa guerra interna, até porque é um partido cheio de tendências profundas e violentamente contraditórias. Até parece que petista que se preze não gosta de petista.

Por aqui, o PT tem uma tendência mais forte que as outras: é a tendência ao escândalo, a beligerância interna, a fazer tempestade em copo d’água. Aqui, falta uma liderança consensual, porque para conseguir exercer uma liderança mais ou menos nestes termos dentro do PT é preciso ter um poder de urna (como o de Lula), que nenhum petista tem.

Sábado foi dia de mais uma reunião do PT, para definir se a legenda será oposição ou situação ao governador eleito Ricardo Coutinho. Rodrigo Soares – que, seja como for, manteve-se coerente à sua posição, seja essa posição coerente ou não – não tem a força argumentativa para fixar o PT na oposição, mas tem a caneta de presidente e, logo, o poder de exercer as manobras que o cargo permite.

E assim fez. Em tese, o conturbado encontro definiu que o partido será oposição a Ricardo Coutinho. Mas, na prática, a validade do resultado deverá ser questionada pelos coutistas (ou petistas ricardistas) tanto internamente quanto talvez até na justiça.

Ademais, os deputados estaduais eleitos Luciano Cartaxo e Anísio Maia, que se retiraram do encontro, não parecem dispostos a acatar a vontade de Rodrigo Soares. Só o terceiro eleito do partido para a Assembleia Legislativa, Frei Anastácio, deve apoiar o presidente. O resultado da reunião foi legitimamente petista: dividido e indefinido.

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