OPINIÃO: 2010 E A REVOLUÇÃO SILENCIOSA

O ano de 2010 certamente ocupará um papel relevante na história política da Paraíba. Já seria assim pelo que foi e pelo que representa a eleição de outubro, um processo longo e acirrado, com um resultado considerado surpreendente. O grande fato político de 2010 foi, é claro, a vitória do ex-prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, sobre o governador José Maranhão. O peemedebista manteve-se como favorito absoluto para ganhar o pleito desde o início do ano, sempre disparado nas pesquisas, contando com mais aliados, dispondo de mais recursos para a campanha, tendo nas mãos o governo. Foi uma eleição de resultado previamente dado como certo: o governador seria reeleito.

A questão era (cria-se) saber de quanto seria a lapada. Falavam em diferenças gigantescas, até de 300 mil votos. Se fosse assim, seria uma eleição plebiscito, como em 1998, quando Maranhão esmagou o então pessebista Gilvan Freire. Seria em cima de outro pessebista que conquistaria sua segunda vitória e seu quarto mandato.

Estava tudo certo, tudo resolvido, tudo claro, faltava apenas um detalhe: abrir as urnas, contabilizar a diferença e comemorar a vitória. Houve, no entanto, um detalhe neste detalhe: o povo, essa massa amorfa, tantas vezes massa de manobra, inconscientemente promoveu uma rebelião. Deu-se a revolução silenciosa e, quando as urnas foram abertas, o espanto correu a Paraíba, do Litoral ao Sertão: Ricardo havia superado Maranhão.

O dia 03 de outubro de 2010 quebrou paradigmas, desfez certezas, desmontou convicções. Haveria ainda um segundo turno, mas a eleição acabou ali. Ricardo não tinha conquistado o pleito ainda, mas acabava de vencer a derrota, que lhe era atribuída como irreversível. O silêncio foi rompido e o segundo turno, contra toda tentativa de reação, selou a reviravolta. Se Ricardo deveria e mereceria vencer ou não, é a opinião de cada um. Mas, o fato é que o resultado de 2010 foi uma legítima manifestação da vontade popular, promovida através de uma revolução silenciosa.

A história

A eleição de Ricardo Coutinho pode ter posto fim à polarização cassismo/ maranhismo, que perdurava desde 21 de março de 1998, quando Ronaldo Cunha Lima desancou José Maranhão no Clube Campestre, em Campina, provocando o rompimento.

Os efeitos

Desde aquela noite, o “efeito Campestre” dividira a Paraíba entre ronaldistas/cassistas e maranhistas. Se Ricardo confirmar as expectativas mais lógicas, não se convertendo em mais um cassista, será o fim de uma disputa direta que se mantém desde aquele 1998. São só 12 anos, mas pelos efeitos que produziu, essa polarização pareceu durar décadas.

O apostador

O deputado federal Wilson Santiago não era favorito para o Senado nem dentro do seu PMDB. Mas, deu nó em pingo d’água e, tendo sido o terceiro mais votado, pode acabar ficando com a segunda vaga de senador, se o Supremo barrar o tucano Cássio.

A estratégia

Santiago arriscou-se na disputa, mas não arriscou-se muito. Valendo-se do mandato de deputado federal, conquistou apoios para eleger o filho em seu lugar, e partiu em busca de conquistar pelo menos a terceira colocação na eleição do Senado, apostando na impugnação do ex-governador Cássio Cunha Lima. Até aqui, tudo vem dando certo.

A derrota

O senador Efraim Morais (DEM) viu sua sorte virar. A mídia nacional pôs fogo na história de funcionários fantasmas em seu gabinete, e lá se foi a reeleição para o brejo.

O não

O prefeito Veneziano Vital, que saiu das urnas de 2008 como provável candidato a governador, viu Maranhão ocupar o espaço, mas não cedeu à pressão para ser seu vice.

O segundo não

Se não podia ter Veneziano como vice, José Maranhão queria o irmão de Veneziano na função. Chegou a anunciar um sim de Vital Filho, que negou, renegou e virou senador.

A marca

Este ano a eleição para Câmara Federal virou mesmo coisa de família. Pela primeira vez candidatos, Nilda Gondim, Hugo Mota e Wilson Filho (todos PMDB) viraram congressistas.

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