OPINIÃO: RICARDO TERÁ MAIORIA

A política não vive sem especulações. Porque não há política sem segredos. E onde há segredo, há especulação. Os políticos até reclamam que a imprensa vive fazendo conjecturas, mas eles mesmos não tomam o café da manhã antes de saber quais são os furos, as novidades, os mistérios revelados... as especulações.

A verdadeira política é a de bastidores, e o que se vê em público resume-se, em grande parte, a jogo de cena. É nos bastidores que as definições, os acordos e as negociações acontecem. Daí que os relatos em torno da política se consubstanciam mais de supostos acontecimentos que de fatos irrefutáveis. Por isso as coisas, nesse meio, têm sempre várias versões.

Pois bem. Essa ilação toda é para dizermos que a relação do governador eleito Ricardo Coutinho com os futuros deputados estaduais (se ele terá ou não maioria), um assunto que começa a render as mais variadas cogitações, estando seus desdobramentos ocorrendo – como é natural – em “segredo de política”, só tem provocado tantas cantilenas conjecturais porque a política não vive sem especulações.

Na prática, o novo governador não deverá enfrentar grandes dificuldades para formar uma bancada majoritária na Casa de Epitácio Pessoa. Primeiro do que tudo, acima de tudo, porque nossos políticos têm uma irresistível atração pelo poder. É um imã infalível!

Numa contagem meramente partidária, observando-se os 36 eleitos e em que coligações estavam seus partidos, diríamos que, matematicamente, a bancada de Ricardo Coutinho contaria hoje com dezesseis deputados, contra vinte da oposição. O socialista precisaria, portanto, de três adesões para ter maioria.

Mas, a matemática é uma ciência secundária na política, porque lida com os exatos – e política nada tem de exatidão. Ricardo Coutinho tomará posse com maioria, provavelmente mais de vinte situacionistas. Só para citar um exemplo, quem vai segurar os três deputados petistas na oposição? Rodrigo Soares? Como? Quem quiser especular, que o responda.

Invencionice

Já começaram também as especulações sobre o futuro secretariado de Ricardo Coutinho. E há conjectura que parece vir do mundo da lua, como a tese de que o deputado federal Luiz Couto poderia ir para a Secretaria de Segurança Pública.

Não dá

O padre Luiz Couto comandando a Segurança Pública estaria tão deslocado quanto Gustavo Gominho rezando missa. Essa é, com certeza, uma das pastas que requererá os mais apurados critérios para seu preenchimento. E por que Couto deixaria a vaga na Câmara Federal para o suplente, seu correligionário e adversário Jeová Campos?

Oligarquias

O vereador Fernando Carvalho, do PMDB, que disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, condenou o que ele mesmo chamou de “mandonismo familiar” nas eleições deste ano. “É a involução do processo democrático no nosso Estado”, criticou.

Na ponta do lápis

“Dos doze deputados federais eleitos pela Paraíba, nove deles estão numa relação direta com as oligarquias políticas do nosso Estado, o mandonismo familiar na política”, disse Fernando Carvalho. Nesse quesito, aliás, o PMDB do vereador foi campeão: quatro dos cinco deputados federais da legenda foram eleitos por causa do sobrenome poderoso.

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