OPINIÃO: RENOVAÇÃO NO PMDB

Consumado o revés nas eleições deste ano para o Governo do Estado, o termo renovação surgiu como palavra de ordem dentro do PMDB. É normal, é comum que, após derrotas nas urnas, as agremiações políticas revejam seus rumos e remontem seus times.

A política é sobremodo dinâmica, os cenários se alteram frequentemente e, por isso, não se pode fazer uma política inerte, sem amoldar-se à realidade do momento. Renovar é necessário. Tanto mais que, apesar de toda a sua força e do poderio de seus quadros, o PMDB vem de três derrotas consecutivas na disputa pelo Palácio da Redenção, o que é um sinal claro de que mudanças são indispensáveis.

Este ano, porém, o discurso de renovação partiu de dissidentes, como a deputada estadual não reeleita Iraê Lucena, o ex-prefeito de Sousa, Salomão Gadelha, o prefeito de Santa Rita, Marcos Odilon, e o filho deste, o deputado estadual Quinto, que não conseguiu eleger-se federal.

Os quatro votaram contra o correligionário José Maranhão no segundo turno, todos assegurando o intento de defender o partido, falando em renovar. O ponto “curioso” (fiquemos no eufemismo), é que esse espírito rebelde só tenha vindo a se manifestar aberta e publicamente quando a expectativa de vitória estava do lado de Ricardo Coutinho. No primeiro turno, ninguém “saiu do armário”.

Essa, de certo, não é a renovação que o PMDB – nem ninguém – precisa. Não basta mudar o comando da legenda, dar vez a outros candidatos nas eleições futuras, rediscutir os próximos passos. Isso é só o começo.

Os peemedebistas precisam perceber que os tempos são outros e o partido é grande demais para ser rigidamente controlado segundo os interesses de pequenos grupos; precisam observar que o PMDB foi o partido mais oligárquico no pleito deste ano (vejam os eleitos para a Câmara dos Deputados), causando mágoas internas que podem pipocar nos próximos meses. O PMDB precisa de uma renovação profunda e não apenas uma demão de cal para esconder problemas.

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