OPINIÃO: REDUTOZINHO OLIGARCA

O artigo “A vez de Romero”, publicado na coluna do último dia 16, causou certo desagrado a alguns admiradores, militantes, fãs e, sobretudo, aos áulicos cassistas. Tudo porque tratamos como ilógica a tese da candidatura de Diogo Cunha Lima, filho do ex-governador Cássio.

Houve uma miríade de contra-argumentos à ponderação constante do artigo de que a candidatura de Diogo “implicaria na desmoralização do tucanato campinense, pois seria o mesmo que taxar a todos de incapazes para a disputa de 2012”. E outros tantos à declaração de que “Campina Grande não é uma cidade cuja prefeitura possa servir de teste para um jovem, apenas pelo peso do seu sobrenome”.

Houve quem alegasse que os votos deste ano de Romero Rodrigues, natural candidato tucano em 2012, foram conquistados pela força eleitoral de Cássio. Logo, se não fosse Romero, teria sido Arthur ou Ivandro o deputado federal mais votado em Campina – alguém com o apoio do ex-governador.

Sem entrar no mérito da questão, cabe indagar: isso desqualifica a pretensão de Romero e concede o direito para que Cássio decida soberanamente por quem ele quiser como candidato, inclusive alguém de casa? Ademais, o ex-governador tem grande influência sobre o eleitorado campinense, mas os pleitos de 2004 e 2008 estão aí para mostrar que essa influência tem limites.

Sobre a crítica a uma eventual candidatura de Diogo, vale lembrar que não condenamos o fato de um filho de político ingressar na política, nem desqualificamos o rapaz. Questionamos – e reafirmamos – a tese de uma candidatura logo a prefeito de Campina, como se o DNA fosse um atributo supremo na política, como se a Cidade fosse uma negócio empresarial.

Campina Grande não pode servir de experiência, não pode se limitar a um governo familiar, não pode ser uma vila de governo hereditário. Enfim, não pode ser um redutozinho oligarca, como se ainda vivêssemos no início do século passado. Isso é coisa de uma política velha e pequena. E Campina é grande.

Um comentário

POLITICAMAISCEDO disse...

PARABÉNS LENILDO, PELA ANÁLISE ISENTA DE PAIXÕES E MATIZES PARTIDÁRIAS. É ASSIM QUE SE FAZ. NÃO É À TOA QUE VOCÊ SE APRESENTA NO RÁDIO E NA WEB COMO UMA DAS JOVENS MENTES BRILHANTES DO JORNALISMO CAMPINENSE. À VANTE!

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