OPINIÃO: AS EXPLICAÇÕES

Uma das perguntas que muita gente faz agora quanto ao resultado das eleições na Paraíba é como e por que o socialista Ricardo Coutinho reverteu uma tendência que lhe era desfavorável, e é o novo governador do estado. São questões complexas, talvez mais passíveis de teses que de respostas. Mas, alguns pontos devem trazer-nos esclarecimentos.

É evidente que Ricardo Coutinho chegou à fase da campanha, em julho, com uma situação desfavorável ante o governador José Maranhão, que detinha o governo, a mídia e as benesses que estes instrumentos possibilitam. Além disso, Ricardo era, até então, bem pouco conhecido no interior mais profundo da Paraíba.

Essa primeira dificuldade poderia ser minimizada por três meios: 1) A mídia, na propaganda de rádio e TV; 2) O apoio do ex-governador Cássio Cunha Lima; 3) O apoio de lideranças regionais, como, por exemplo, prefeitos, que têm grande influência – até demais – nos menores municípios.

Assim foi feito, apesar de, no primeiro turno, o terceiro ponto não funcionar com tanta força, já que o clima favorável a Maranhão afastava as lideranças locais. Cássio fez sua parte, e a mídia não foi melhor porque o pop star do marketing político Duda Mendonça fez um trabalho medíocre. Tudo, porém, não era suficiente para dar a vitória a Ricardo... não fosse Campina e João Pessoa.

Juntas – um fato raro – as duas maiores cidades bancaram o socialista, anularam a vantagem de José Maranhão no restante do estado, e Ricardo venceu o primeiro turno. Com o resultado, um outro fator entrou no jogo.

A grande expectativa de vitória pró-Maranhão passou para Coutinho, animando militância, fortalecendo seu nome nos 223 municípios (quer coisa melhor que uma vitória para fazer alguém conhecido?), amealhando várias adesões. O clima inverteu-se e o tempo no segundo turno era pequeno demais para uma reação. E o PMDB ainda perdeu-se nas estratégias e ações, fazendo de Ricardo uma possibilidade ainda mais atraente para o eleitor.

Cássio

O ex-governador Cássio Cunha Lima foi, de certo, um dos maiores vencedores nesta disputa estadual. Embora sua situação pessoal no STF se mantenha indefinida, derrotar o PMDB e José Maranhão era palavra de ordem no núcleo Cunha Lima.

Rômulo

Já andavam dizendo que o deputado federal e agora vice-governador eleito Rômulo Gouveia era pé frio em eleição majoritária. Agora, o ex-líder comunitário, que foi presidente da Câmara campinense e da Assembleia Legislativa, é vice-governador. E deve desempenhar um papel importante na articulação política do Palácio da Redenção.

Cícero

O presidente estadual do PSDB, senador Cícero Lucena, saiu com sua imagem sobremodo desgastada desse processo. Além de ver o adversário eleger-se governador, deixou para o povo uma imagem de político vingativo, que não faz bem nesse meio.

Veneziano

Há quem questione como o prefeito Veneziano e o senador eleito Vitalzinho saem desta disputa. Como vencedores, claro. O fato de não terem podido inverter o jogo para Maranhão em Campina é outra história. Mas, Vitalzinho é senador da República, e os dois elegeram dona Nilda para deputada federal. Voltaremos a esse ponto essa semana.

Abstenção

O índice de eleitores deixando de comparecer às urnas nesse segundo turno da Paraíba não foi tão alto quanto se temia. Apenas meio ponto a mais que no primeiro turno.

Insuficiente

O trabalho do PMDB em Campina Grande e João Pessoa pôde diminuir a diferença em favor de Ricardo Coutinho nas duas cidades, mas foi pouco, sobretudo em Campina.

Inversão

No primeiro turno, José Maranhão ganhou em três quartos dos municípios, já no segundo, Ricardo Coutinho conseguiu inverter esse resultado, vencendo em 127 cidades.

Transição

O governador eleito quer o Ministério Público e o Tribunal de Contas acompanhando o processo de transição no Estado. É improvável, mas, que essa transição ocorra em paz.

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