LINHA DO TEMPO: SAIBA QUEM FORAM OS DOZE GOVERNADORES ELEITOS PELO VOTO DIRETO NA PARAÍBA, DE 1947 A 2006

09/10/10

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1947: Osvaldo Trigueiro – O povo escolhe

Na primeira eleição direta para o Governo do Estado na Paraíba, o jurista e cientista político Osvaldo Trigueiro, natural de Alagoa Grande, teve como principal adversário o tribuno Alcides Carneiro, sertanejo de Princesa Isabel. Trigueiro foi eleito com 80.368 votos, contra 69.683 de Alcides. Um terceiro candidato, José Vandregiselo (pai do cantor e compositor Geraldo Vandré), teve apenas 47 votos.


1950: José Américo de Almeida – Disputa violenta

Foi o primeiro grande embate eleitoral pelo Governo do Estado. Duelo de gigantes políticos: o ex-ministro e ex-interventor José Américo de Almeida (natural de Areia), do PSD, e o ex-governador Argemiro de Figueiredo (natural de Campina Grande), da UDN. A eleição teve episódios de violência, inclusive com mortes em Campina, que acabaram sendo injustamente atribuídas a Argemiro. José Américo venceu: 147.093 votos a 111.152.

1955: Flávio Ribeiro Coutinho – O candidato pacificador

As exacerbações do processo eleitoral anterior não poderiam se repetir. As principais correntes partiram para um acordo – fato que hoje seria impensável – e lançou-se um candidato de consenso: o médico Flávio Ribeiro Coutinho (UDN), natural do Pilar. O pequeno PST, contra o acerto dos grandes, indicou um candidato de protesto, Renato Teixeira. Flávio teve 90,3% dos votos: 180.228 contra 19.251 de Renato.


1960: Pedro Gondim – “Quem é o homem? O homem é Pedro!”

Pedro Gondim (nascido em Alagoa Nova) era vice de Flávio Ribeiro, e assumiu o Governo por doença do titular, que não mais voltaria ao cargo. Gondim sentia-se o candidato natural para 1960, mas Ruy Carneiro, cacique maior do seu partido, o PSD, indicou o irmão, Janduhy. De temperamento forte, Pedro foi para o PSB e derrotou sua antiga legenda: Gondim 148.960 votos, contra 124.041 de Janduhy Carneiro.




1965: João Agripino Filho – Disputa palmo a palmo

João Agripino, natural de Catolé do Rocha, teve como adversário o ex-interventor Ruy Carneiro. O sertanejo tinha como vice Severino Cabral, radicado em Campina Grande, de onde fora prefeito até 1963. Ruy formava chapa com o campinense Argemiro de Figueiredo. A eleição foi disputada até o último instante. João Agripino venceu por maioria de apenas 0,9%: 168.712 votos contra 165.785 de Ruy.


1971 – 1982: Ditadura militar e voto indireto

João Agripino deixou o Governo em 1971. Sob a ditadura militar, dali até 1982 os governadores foram eleitos indiretamente: Ernani Sátiro – 1971 a 1975; Ivan Bichara – 1975 a 1978; Dorgival Terceiro Neto – 1978 a 1979; Tarcísio Burity – 1979 a 1982; Clóvis Bezerra Cavalcanti – 1982 a 1983. Em 1982 ocorreram novas eleições diretas, com o governador eleito assumindo em 15 de março do ano seguinte.


1982: Wilson Braga – Volta das eleições diretas

A disputa principal foi entre Wilson Braga (PDS), de Conceição, e Antônio Mariz (PMDB), pessoense radicado em Sousa. O PT lançou Francisco Derly. Mariz venceu nos dois maiores colégios eleitorais, João Pessoa e Campina Grande, mas Wilson acabaria eleito, beneficiado pela então vigente norma do voto vinculado – que obrigava o voto em candidatos do mesmo partido. Braga teve 509.855 votos; Mariz, 358.146; Derly, 3.918.


1986: Tarcísio Burity – Consagração nas urnas

O pessoense Burity (PMDB), que pelo voto indireto governara a Paraíba de 1979 a 1982, enfrenta Marcondes Gadelha (PFL). O PT lança Carlos Alberto Dantas Bezerra. O ex-governador vence com folga. Burity: 755.625 votos; Marcondes: 459.589; Carlos Alberto: 18.097. A nota trágica foi a obscura morte de Raymundo Asfóra, eleito vice-governador, encontrado sem vida em sua casa nove dias antes da posse.



1990: Ronaldo Cunha Lima – Virada no segundo turno

A primeira eleição para governador a ser decidida no segundo turno “salvou” o guarabirense radicado em Campina Ronaldo Cunha Lima (PMDB). O primeiro turno foi vencido por Wilson Braga (PDT), com 498.763 votos, contra 462.562 de Ronaldo. Demais candidatos: João Agripino (PDS) – 137.487 sufrágios; Genival Veloso de França – 44.719; Juracy Palhano – 6.494. No segundo turno, ampliando sua vantagem em Campina e diminuindo seu prejuízo em João Pessoa, Ronaldo superou Braga: 704.375 votos a 571.802.


1994: Antônio Mariz – Homem e mulher na disputa

Primeira mulher a disputar o Governo da Paraíba, Lúcia Braga (PDT) recebeu no primeiro turno 489.066 votos. Antônio Mariz, o mais votado, teve 525.395. Outros candidatos: Avenzoar Arruda (PT) – 73.989 votos; Chico Evangelista (PPR) – 24.541; Djacy Oliveira (PMN) – 14.611. No segundo turno, uma série de denúncias pesou contra Lúcia, e Mariz ampliou a frente, vencendo por 781.349 votos, contra 558.987.



1998: José Maranhão – A eleição “referendo”

O PMDB rachou. Ronaldo Cunha Lima disputa as prévias do partido com José Maranhão (nascido em Araruna), que assumira a titularidade do Governo com a morte de Mariz. Maranhão leva a melhor e, valendo-se da nova regra, que permite a reeleição para cargos do executivo, vai para a disputa das urnas sem grandes adversários. É eleito com 877.852 votos, contra 175.234 de Gilvan Freire (PSB), 14.090 de Valadares (PRP), 11.095 do Pastor César (PMN) e 9.244 de Marcelino Rodrigues (PSTU).

2002: Cássio Cunha Lima – Um azarão quase complica

Cássio Cunha Lima entra na disputa como franco favorito. O PMDB perde tempo com Ney Suassuna, que não sai candidato. Roberto Paulino, vice-governador que assumira a titularidade com a saída de José Maranhão para disputar o Senado, é “empurrado” para a disputa. A eleição, contudo, tornou-se renhida. No primeiro turno, Cássio recebe 752.297 votos; Paulino, 637.239; Avenzoar Arruda (PT), 200.362; Alexandre Arruda, 1.632; Lourdes Sarmento (PCO), 1.434; Maria José (PGT), 844. No segundo turno, Cássio vence: 889.922 votos, contra 843.127 de Paulino.

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2006: Cássio Cunha Lima – A eleição sem fim

No primeiro turno, Cássio tem 943.922 votos; José Maranhão, 926.272; David Lobão (PSOL), 22.949; Lourdes Sarmento (PCO), 3.902; Marinésio (PSDC), 1.743; Francisco Carlos (PCB), 1.698. No segundo turno, Cássio é eleito, com 1.003.102 sufrágios, contra 950.269 de Maranhão. Mas, a história – como todo mundo sabe – não terminava aí. O tucano acabaria cassado, e o segundo colocado, José Maranhão, assume o governo em fevereiro de 2009.

3 comentários:

Josélio Carneiro disse...

excelente registro da história recente de nossa política, meu caro Lenildo. Parabéns pela pesquisa.

joselio carneiro, jornalista

J. OZILDO disse...

Excelente trabalho. Parabéns.
J. Ozildo

J. OZILDO disse...

Excelente trabalho. Parabéns.