CAMPINA: CELEIRO POLÍTICO

Neste dia em que Campina Grande comemora o 146° aniversário de sua emancipação, em tributo à Rainha da Borborema deixaremos de lado, por hoje, a política do momento, para revisitarmos o passado, mencionarmos líderes campinenses – naturais ou adotados – que tiveram destaque no cenário político estadual e até nacional. A cidade sempre foi um celeiro de lideranças, a maioria delas com traços hoje encontrados apenas em dois ou três dos nossos políticos locais: a arguta inteligência, a eloqüência, a postura e a vocação de líder.
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Talvez explique essa maior ocorrência no passado o fato de muitas personalidades políticas iniciarem suas carreiras em movimentos estudantis – que pouco tem a ver com os movimentos estudantis do presente, onde (em geral) jovens se limitam a declamar ladainhas marxistas que mal entendem, promover festinhas e coordenar a emissão de carteiras de estudante.
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Havia o “Centro Estudantal Campinense” (a grafia era “estudantal” mesmo), berço de grandes figuras da nossa história, importante referência política entre os anos de 1935, quando foi fundado, e meados da década de sessenta, quando, sufocado pela ditadura militar, cessou suas atividades. O oligarquismo daquela época tinha, em geral, uma característica mais amena que o hodierno: pelo menos os herdeiros políticos demonstravam personalidade própria, não eram os meros clones que hoje se vê. Argemiro de Figueiredo, por exemplo, rompeu com o pai, o coronel Salvino, a quem superou.
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Campina sempre esteve aberta, também, aos “forasteiros”, que a ela se apegaram tão afetuosamente: o dinamarquês Cristiano Lauritzen; o cabaceirense Félix Araújo; o areiense Elpídio de Almeida; o cearense Raimundo Asfora... Fiquemos apenas nestes poucos vultos do passado, sem menções ao presente, para não cometermos injustiças ou insuflarmos paixões. E nem ofender a tantos que, julgando-se figuras importantes, não merecerão destaque na história desta apaixonante cidade.

Félix Araújo

Um dos maiores personagens da nossa história política é Félix de Souza Araújo, patrono da Câmara Municipal. Félix foi morto em 1953, aos 30 anos, por um sabujo do então prefeito (Plínio Lemos), cujas contas da Prefeitura o jovem vereador investigava.

Mártir do dever

Apesar de tão jovem, Félix – soldado voluntário na II Guerra Mundial, poeta, jornalista, estudante de direito, intelectual, grande tribuno – despontava como um dos principais líderes políticos de sua época. Seu assassínio covarde gerou um clima de pesada revolta em Campina, e seu nome espalhou-se batizando pontos importantes da Cidade.

Argemiro de Figueiredo

De uma das mais tradicionais famílias da política paraibana, Argemiro de Figueiredo foi, além de advogado e brilhante orador, deputado estadual, deputado federal, senador e governador/interventor do Estado. Nasceu em 1901 e morreu em 1982.

Líder de líderes

Entre meados da década de trinta a de sessenta do século passado, Argemiro de Figueiredo foi o chefe de uma das principais alas políticas do Estado, em contraponto ao grupo de José Américo de Almeida. Àquele tempo, a Paraíba, hoje dividida entre o “cassismo” e o “maranhismo”, polarizava-se entre “argemiristas” e “ameriscistas”.

Elpídio de Almeida

Elpídio de Almeida foi nosso primeiro prefeito eleito pelo voto popular, em 1947. Venceu, na disputa, o “major” Veneziano Vital do Rêgo. Voltou a ser eleito em 1955.

Raimundo Asfora

Nossa história política guarda um mistério: a morte de Raimundo Asfora, dias antes de assumir como vice-governador (elegeu-se com Burity em 86). Suicídio ou homicídio?

Newton Rique

A cassação do mandato do prefeito Newton Rique, em 1964, foi um baque para Campina. Aquele prometia ser um governo renovador, abortado pela ditadura militar.

Terra de bravos

Citando Félix Araújo, homenageamos a Rainha da Borborema: “Esta terra de bravos / Não será terra de escravos / Nem reinado de opressão”. Que o futuro diga “amém”!

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